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China suspende diálogo militar e climático com EUA por visita de Pelosi a Taiwan

Pequim lançou exercícios militares nos mares e céus ao redor de Taiwan

Crédito: Reuters - 06/08/2022 - Sábado, 08:59h

Taipé - A China anunciou na sexta-feira (5) a interrupção da cooperação com os Estados Unidos em diversas áreas, incluindo o diálogo entre comandantes militares, em retaliação à visita nesta semana da presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan.

O Ministério das Relações Exteriores da China também disse em um comunicado que está interrompendo as conversações climáticas com os Estados Unidos, assim como a cooperação na prevenção do crime transfronteiriço e no repatriamento de imigrantes ilegais, além de outras oito medidas específicas.

Enfurecida depois que Pelosi se tornou a visitante de mais alto escalão dos EUA em 25 anos à ilha autônoma que Pequim considera seu território soberano, a China lançou exercícios militares nos mares e céus ao redor de Taiwan na quinta-feira. Os exercícios com disparos reais, os maiores já realizados pela China no Estreito de Taiwan, estão programados para continuar até o meio-dia de domingo.

O Ministério da Defesa de Taiwan disse na sexta-feira que enviou jatos para alertar aeronaves chinesas que entraram na zona de defesa aérea da ilha, algumas das quais cruzaram a linha mediana do Estreito de Taiwan, uma barreira não oficial que separa os dois lados.

O Comando Leste do Exército de Libertação Popular (PLA) da China disse em comunicado que seus militares realizaram exercícios aéreos e marítimos ao norte, sudoeste e leste de Taiwan na sexta-feira "para testar as capacidades conjuntas de combate das tropas".

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que Washington deixou repetidamente claro a Pequim que não busca uma crise com a visita de Pelosi a Taiwan, que ocorreu na quarta-feira durante uma turnê de uma delegação do Congresso norte-americano à Ásia.

"Não há justificativa para essa resposta militar extrema, desproporcional e escalada", disse ele em entrevista coletiva durante reunião Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), no Camboja, acrescentando que "agora, eles levaram os atos perigosos a um novo nível".

A Casa Branca convocou o embaixador chinês, Qin Gang, na quinta-feira, para condenar as ações de Pequim. A convocação ocorreu após Pequim convocar o embaixador dos EUA, Nicholas Burns, mais cedo nesta semana sobre a visita de Pelosi à Taiwan.

Representantes do Departamento de Estado não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre a suspensão das negociações e cooperação da China em várias frentes.

Os comentários chineses não mencionaram a suspensão das negociações militares nos níveis mais altos, como as conversas com o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Mark Milley. Embora essas conversas tenham sido raras, as autoridades disseram que elas são importantes em caso de emergência ou acidente.

A China anunciou separadamente que irá impor sanções pessoais a Pelosi e sua família imediatamente em resposta a suas ações "viciosas" e "provocativas".

Pequim disse que suas relações com Taiwan são um assunto interno e que se reserva o direito de colocar a ilha sob controle chinês pela força, se necessário.

STATUS QUO
Pelosi elogiou Taiwan na sexta-feira, prometeu solidariedade dos EUA e disse que sua viagem pela Ásia nunca teve como objetivo mudar o status quo regional.

Pelosi e uma delegação do Congresso estavam no Japão na última etapa de uma viagem à Ásia que incluiu uma breve e não anunciada parada em Taiwan, o que levou a China a realizar exercícios de tiro real em águas em torno de Taiwan, com cinco mísseis atingindo a zona econômica exclusiva do Japão.

Sua parada em Taiwan ocorreu no momento em que o Japão, um dos aliados mais próximos de Washington, está cada vez mais alarmado com o crescente poder da China no Indo-Pacífico e a possibilidade de Pequim tomar uma ação militar contra Taiwan.

"Dissemos desde o início que nossa representação aqui não visa mudar o status quo em Taiwan ou na região", disse ela em entrevista coletiva após se reunir com o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida.

"O governo chinês não está satisfeito que nossa amizade com Taiwan seja forte", acrescentou.

"É bipartidário na Câmara e no Senado, apoio esmagador à paz e ao status quo em Taiwan."

A China condenou a viagem de Pelosi, que levou a delegação a Cingapura, Malásia e Coreia do Sul, além de Taiwan e Japão.

Foto: Reuters
Presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, se encontra com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, em Taipé
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