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China e Rússia votam contra novas sanções à Coreia do Norte

Divisão do Conselho de Segurança na ONU marca o fim de uma era para sanções lideradas pelos EUA à Coreia do Norte

Crédito: Reuters - 27/05/2022 - Sexta, 14:54h
Nova York - A decisão da China e da Rússia de vetar novas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a Coreia do Norte, impostas pelos Estados Unidos, destruiu qualquer verniz de cooperação global, sobrecarregando os esforços para pressionar Pyongyang, que se prepara para realizar um novo teste nuclear.

Os dois países vetaram na quinta-feira (26) um esforço liderado pelos EUA para impor mais sanções da ONU à Coreia do Norte por seus novos lançamentos de mísseis balísticos, dividindo publicamente o Conselho de Segurança pela primeira vez desde que começou a punir Pyongyang em 2006.

Autoridades norte-americanas criticaram como "um afastamento acentuado do histórico de ação coletiva do Conselho sobre essa questão".

"A votação de hoje significa que a Coreia do Norte se sentirá mais livre para tomar novas medidas de escalada", disse Jeffrey Prescott, vice do embaixador dos EUA na ONU, no Twitter. "Mas não podemos nos resignar a esse destino - isso seria muito perigoso."

O embaixador da Rússia na ONU chamou a resolução de "um caminho para um beco sem saída", enquanto o enviado da China disse que isso só levaria a mais "efeitos negativos e escalada de confronto".

Analistas e alguns diplomatas disseram que Washington pode ter calculado mal em sua pressa de impor consequências aos testes de mísseis da Coreia do Norte.

"Acho que foi um grande erro para os EUA pressionar pelo que certamente fracassaria, em vez de mostrar oposição unificada às ações da Coreia do Norte", disse Jenny Town, diretora do programa 38 North, com sede nos EUA, que monitora a Coreia do Norte. "No atual ambiente político, a ideia de que a China e a Rússia poderiam concordar com os EUA em qualquer coisa teria enviado um forte sinal para Pyongyang."

Um diplomata europeu disse que seu país apoiou a resolução dos EUA, mas que estava menos atento ao momento e achou que Washington deveria ter esperado até que a Coreia do Norte realizasse um novo teste nuclear.

Os Estados Unidos avaliaram que a Coreia do Norte testou seis mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) este ano e estava "se preparando ativamente para realizar um teste nuclear", que seria o primeiro do país desde 2017.

CONSENSO FRÁGIL

Nos últimos 16 anos, o Conselho de Segurança intensificou de forma constante e unânime as sanções para cortar o financiamento dos programas de armas nucleares e mísseis balísticos de Pyongyang. Pela última vez, reforçou as sanções contra Pyongyang em 2017.

Washington criticava cada vez mais a China e a Rússia pelo que via como uma aplicação frouxa, mesmo antes da última divergência política.

A China e a Rússia pediram o afrouxamento das sanções para evitar o sofrimento humanitário no Norte e para impulsionar as negociações paralisadas de desnuclearização.

Artyom Lukin, professor da Universidade Federal do Extremo Oriente em Vladivostok, disse que parecia que os Estados Unidos queriam provocar e produzir essa divisão no Conselho de Segurança, sabendo que China e Rússia não apoiariam a resolução.

Moscou e Pequim parecem um pouco tolerantes com a retomada dos lançamentos de mísseis de longo alcance da Coreia do Norte, mas está longe de ser claro se Pyongyang tem o consentimento da Rússia e da China, tácito ou não, para um teste nuclear, acrescentou.

“Os testes nucleares são vistos por Pequim, e especialmente por Moscou, como um assunto muito mais sério, comparado aos testes de mísseis”, disse Lukin.

No entanto, a Rússia vê a crise na Ucrânia como uma guerra por procuração com os Estados Unidos, e a guerra agora está sangrando na situação em torno da Coreia do Norte, disse ele.

"Mesmo que Moscou e Washington tenham um interesse compartilhado real na desnuclearização da Coreia do Norte, agora se tornou extremamente difícil, se não impossível, para eles colaborarem", disse Lukin.

O embaixador da China na ONU, Zhang Jun, sugeriu que os Estados Unidos podem ver a questão coreana como "uma peça de xadrez no tabuleiro de xadrez para sua chamada estratégia Indo-Pacífico".

O veto chinês e russo é um sinal revelador da deterioração de seu relacionamento geral com os Estados Unidos e seus aliados, disse Zhao Tong, especialista em segurança de Pequim, do Carnegie Endowment for International Peace.

"Pequim poderia ter se abstido, mas usou o veto para sinalizar publicamente seu crescente desacordo e ressentimento em relação a Washington", disse ele. "Todo mundo sabia que o veto enviaria uma mensagem errada e perigosa para a Coreia do Norte, mas a Rússia e a China acreditam que enfrentam riscos maiores em resistir à hostilidade percebida dos países ocidentais".

Pequim e Moscou também veem genuinamente os desenvolvimentos nucleares e de mísseis da Coreia do Norte como motivados por ameaças de Washington e não podem ser totalmente atribuídos a Pyongyang, disse Zhao.

"Temos um problema de lacuna de percepção entre as grandes potências", disse ele. "A Coreia do Norte está apenas explorando e se beneficiando disso."


Foto: Reuters
Uma mulher assiste a uma transmissão sobre o lançamento de três mísseis pela Coreia do Norte, incluindo um que se acredita ser um míssil balístico intercontinental (ICBM), em Seul

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