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Do luto de uma vida ideal para ‘eu luto’ por uma saudável

A vida será um misto de emoções, nem sempre rosa, mas nem sempre cinza

Crédito: Rubia Infanti/Alternativa - 05/12/2021 - Domingo, 16:54h
Ainda hoje muitos brasileiros partem do Brasil pensando em encontrar o “El Dorado”. Por mais dificuldades que possam enfrentar no país de destino, eles desejam mudar o padrão de vida. No entanto, não é bem isso o que acontece. Às vezes, muitos até conseguem ter uma vida financeiramente mais estável, mas emocionalmente bem fragilizada, porque suas vidas ficam concentradas nas ambições de consumo ao invés de priorizar um cuidado psíquico. 

No caso dos brasileiros descendentes de japoneses, morar no Japão parece muitas vezes como uma possibilidade fácil para se estabelecer no país. O problema começa quando eles não atingem suas metas. 

Eles vão precisar elaborar um luto de uma vida idealizada. O luto (tempo necessário para se recuperar emocionalmente da morte de alguém) também acontece por idealizações de projetos pessoais que não acontecem conforme as nossas expectativas. 

Muitos brasileiros se perdem nesse caminho de correr atrás do ideal. Quanto mais trabalham e não conseguem pagar as dívidas, acabam entrando em uma espiral negativa e ficam com vergonha de falar com os familiares e com os colegas. Evitam até o contato para não falar o que estão sentindo. Somos seres sociais. Precisamos dos outros para nos relacionar e termos melhor autoconhecimento, e assim, nos sentirmos mais confiantes em relação aos nossos potenciais.

A partir do momento que procuramos ajuda terapêutica e podemos falar livremente sem medo de julgamentos, damos um dos passos mais difíceis, porque estamos reconhecendo que alguma “peça mental” não está bem encaixada. E isso é normal, somos seres em constante formação, nem tudo segue conforme nossas expectativas. Para isso, precisamos elaborar mentalmente nossos lutos (não somente das perdas de entes queridos, mas de nossas idealizações). 

Segundo os autores Stroebe e Schut, o processo de luto não tem fim e vai depender de como mudamos nossas perspectivas em relação às nossas perdas e dores. 

Antes de tudo, o que podemos almejar é uma riqueza emocional, estar em paz conosco e com os outros ao nosso redor. Cada dia é um novo começo para lutarmos por uma vida mais saudável e equilibrada. Não quer dizer que estará imune às dores e perdas. A vida será um misto de emoções, nem sempre rosa, mas nem sempre cinza. No final, a vida será um constante luto e sigo lutando! 


Foto: iStockphoto 


Artigo publicado na edição 524 da revista Alternativa, de 7 de outubro de 2021
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