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Fisiculturista brasileira conquista série de títulos no Japão

“É uma preparação cansativa e difícil”, disse Isadora Yaekashi

Crédito: Eliana Kojima/Alternativa - 25/11/2021 - Quinta, 14:18h

Komaki - O Brasil é campeão de medalhas em fisiculturismo na categoria feminina Wellness no Japão. Uma das responsáveis por destacar cada vez mais as atletas brasileiras no cenário japonês é Isadora Weinert Ferreira Nogueira Yaekashi, 38 anos, ou apenas Isadora Yaekashi. A morena de 1,56m de altura e 56 kg bem definidos conquistou três medalhas de ouro e uma de prata em um curto período de cerca de 4 meses.

A primeira medalha de ouro veio em 26 de julho deste ano, no concurso Golden Million Championships, em Kanazawa (Ishikawa). As outras duas vieram logo na sequência, sendo em 15 de agosto no FWJ Pacific Ocean Championship, em Shizuoka (capital da província de mesmo nome), e em 18 de setembro no Y-4GYM Championship, em Inazawa (Aichi).

Já a medalha de prata foi conquistada no dia 14 de novembro no Olympia Amateur Japan, em Shibuya (Tóquio), onde o também atleta brasileiro Fernando Tadachi Goto, 24 anos, ficou em primeiro lugar na categoria Men's Physique Novice. Todas as competições foram realizadas pela Fitness World Japan (FWJ) em conjunto com a Federação Internacional de Fisiculturismo e Fitness (IFBB, sigla em inglês).

O curioso é que a categoria de Isadora, a Wellness, que harmoniza o fisiculturismo, o bem-estar e a beleza feminina, é uma modalidade do esporte que nasceu no Brasil, mas que está conquistando cada vez mais espaço nas competições do Japão e do mundo. A atleta brasileira vem acompanhando esse crescimento ao vivo. “O primeiro campeonato que fui subimos (ao palco) eu e uma outra brasileira. Já no terceiro, foram eu e duas japonesas. E nesse último, eram 12 meninas e tinha bastante japonesas. Está crescendo muito e promete muito mais o ano que vem”, prevê ela.

De acordo com a Federação Brasil Fisiculturismo e Fitness (BRAFF), a categoria foi criada em 2005 pelo presidente do órgão, Gustavo Costa, e somente a partir de 2014 tornou-se internacional. Segundo informações do site da BRAFF, uma atleta de Wellness deve ter maior volume muscular nas pernas e glúteos, ou seja, ter um biótipo típico das brasileiras. No entanto, Isadora disse que isso não intimida as japonesas. “É um tipo físico difícil para elas. Tem que dar um ‘gambate’ mesmo. Mas, por a categoria ter se profissionalizado e estar nesse ‘boom’ não só aqui mas em outros países também, a galera tá curtindo e correndo atrás de treinar, fazer a dieta certinho para atingir esse tipo de corpo”, explicou ela.

Os critérios de avaliação, porém, vão muito além de ter músculos definidos. Isadora contou que “no palco, também são avaliados a sua pele, seu biquíni, as joias, tudo conta no conjunto final”. Além disso, a postura, a feminilidade, a simpatia, a desenvoltura em desfilar pelo palco de salto alto e até o brilho nos olhos da candidata são critérios decisivos na competição, de acordo com o site da BRAFF. Com tantas exigências, as conquistas de Isadora a torna praticamente uma “mulher maravilha”.

Outra condição que a coloca nesse título de “supermulher” é a sua rotina em tempos de competição. Seu dia começa às 5h30 da manhã para encarar um ritual de exercícios aeróbicos, dieta rigorosa e musculação, enquanto se desdobra para cuidar da casa e da família. “É assim: acorda, faz um ‘cardio’ (exercício aeróbico), come, descansa, bota uma roupa pra lavar, coloca um frango na air fryer... ”, relata essa moça simpática com um sorriso largo. “Nos últimos dias, eu tinha que fazer três ‘cardios’ por dia, além de treino de musculação. No tempo livre, preparava a minha dieta e cuidava da casa. O dia de treino terminava tarde. Às vezes, era meia-noite e ainda tinha uma ou duas refeições para fazer, porque não pode pular as refeições. Botava tudo junto, mandava pra dentro e ia dormir.”

Para quem pensou que o dia da atleta já estava bem cheio, enganou-se: “Ainda tinha o ensaio de pose. Confesso que é o mais difícil pra mim, porque eu não ando de salto. Tem que ter uma leveza, um charme, e não é a minha praia. E no susto do palco você tem que fazer o bonito”.

Com tantas atividades, veio o cansaço, o estresse, mas também a conquista nos palcos. “É uma preparação cansativa e difícil. Eu fiz um ano inteiro de preparação. Na primeira competição, subi no palco e me tremia inteira. Não conseguia nem sorrir, o meu rosto não parava de tremer. Mas, me ajudou muito a perder essa vergonha de palco, porque sou muito tímida, e sair de lá com uma medalha de ouro foi ‘lavar a alma’. Valeu pela experiência.”

Moradora da cidade de Komaki (Aichi) desde que chegou ao país há cinco anos, Isadora fazia exercícios físicos por prazer quando vivia no Brasil e nem em sonho imaginava entrar no mundo das competições. Lá, ela conheceu pela internet o seu marido, Rafael Yaekashi, 36 anos, que já vivia no Japão há 15 anos e praticava musculação para perder peso. A atividade física acabou aproximando o casal, cuja união gerou o Lucas, hoje com 18 anos e prestes a se formar no koukou (ensino médio japonês).

Quando decidiram morar no Japão, porém, o período de adaptação de Isadora acabou interrompendo a musculação. “A gente ficou sem treinar, e aí teve um dia que falei pra ele ‘precisamos voltar pra academia’.”

A partir de então, Isadora passou a levar a musculação mais a sério. Tão a sério que virou colecionadora de medalhas. A sua família são seus maiores fãs e incentivadores, dando total apoio emocional e suporte. Sua meta agora é conquistar o IFBB pro-Card, que dá ao atleta o status de profissional da federação. Outro foco é prestar assessoria para as pessoas que querem ter uma vida mais saudável com orientações nutricionais e de exercícios físicos. Tanto que ela fez cursos na IFBB, e já tem duas clientes japonesas sob sua orientação.

Para atingir suas metas, a torcida já está garantida. Isadora conta que há até pessoas que não gostam de musculação, mas que acompanharam as competições apenas para torcerem pelo seu sucesso. Seja pessoalmente ou pelas redes sociais, a atleta brasileira recebe o carinho de fãs de diversas partes do mundo. “Tem pessoas do Brasil, do Japão, da Áustria, de tudo que é lugar, e receber essas mensagens de motivação e apoio é incrível”, emociona-se.

Fotos: Cedidas
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