Outras Edições

Em destaque Comunidade

Tatuagem: arte, cultura e tabu no Japão

É evidente que o cerne dessa discussão está no ponto de vista de cada um

Crédito: Luara Yamamoto/Alternativa - 21/10/2021 - Quinta, 17:16h

Olá, caros apreciadores de arte corporal. Aqui quem fala é uma jovem adulta adepta a marcar o próprio corpo assim que superar o medo de agulhas.

Vivemos em uma sociedade cuja visão da tatuagem ainda é um tabu a ser discutido. Devido a sua fama de estar relacionada a organizações criminosas, como a yakuza, muitos japoneses veem pessoas tatuadas com maus olhos, estabelecimentos, como onsens e piscinas, se recusam a atender pessoas com tatuagens, a nãos ser que elas se cubram de alguma forma, e até empresas deixam de contratar novos empregados por causa disso. O preconceito e o medo estão tão enraizados em sua cultura que se manter afastado de pessoas tatuadas é quase um instinto de sobrevivência para eles, já que foram criados em um ambiente que dissemina esse pensamento há gerações.

Mas de onde se originou esse medo?

É possível que essa noção de que a tatuagem é sinônimo de criminalidade e perigo tenha se originado durante o período Edo, quando os criminosos eram marcados com tinta na pele para cada delito específico cometido. Contudo, ao invés da vergonha, muitos passaram a exibir essas marcas como símbolos de destaque e pertencimento a grupos criminosos e de intimidação a outras organizações rivais. Assim, as pessoas aprenderam a temer qualquer um que tivesse a pele pintada pelo próprio bem delas. Porém, isso foi há centenas de anos e, hoje, a tatuagem é uma mera forma de expressão, através da arte. É impossível distinguir um criminoso de um inocente aleatório somente por desenhos e símbolos intrínsecos na pele. Até porque, qualquer um pode fazer uma tatuagem.

O curioso é que nesse mesmo período, no reino Ryuku, atual Okinawa, existia a tradição religiosa de pintar as mãos das mulheres, conhecida como hajishi, o qual era realizada apenas por mulheres xamãs onarigami e que simbolizava tanto a classe social da mulher, quanto a passagem para a vida adulta delas. Havia outras razões para esta prática, pois cada região possuía culturas semelhantes, porém também características próprias. Infelizmente, assim que o Japão anexou o reino, a prática passou a ser proibida porque o governo queria "politizar" a região, inserindo os seus próprios costumes e crenças, subjugando a cultura dos nativos. As mulheres tatuadas passaram a serem julgadas e maltratadas por conta disso. No entanto, hoje em dia, o hajishi voltou a surgir em algumas partes da região, que decidiram resgatar a tradição.

Pelo que vimos, é evidente que o cerne dessa discussão está no ponto de vista de cada um. Tatuagens podem ser uma mera arte, que como qualquer outra, pode ser interpretada de várias maneiras, pois o que atribui um significado profundo, superficial e até ofensivo somos nós mesmos. Sem isso, seria nada mais e nada menos que uma pele manchada.

Foto: iStockphoto
Compartilhe
Comentários

2244 vagas disponíveis em todo o Japão

1 ano
26 edições
¥5.980 ienes
ASSINE A
REVISTA
RECEBA SEM SAIR DE CASA
PARTICIPE DE TODAS AS NOSSAS PROMOÇÕES
qr code alternativa
Telefone
050-6860-3660
Fax
03-6383-4019
Nippaku Yuai Co., Ltd.
〒151-0071
Tokyo-to Shibuya-ku Honmachi 1-20-2-203