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Médicos pedem ampliação do estado de emergência para todo o Japão

Os hospitais já estão sentindo o impacto do aumento de casos de Covid-19

Crédito: Reuters - 04/08/2021 - Quarta, 09:59h

Tóquio - O chefe da Associação Médica do Japão (JMA) pediu na terça-feira (3) um estado de emergência de âmbito nacional para conter uma disparada de casos de Covid-19 em Tóquio, a cidade-sede da Olimpíada, e em outras partes do país, relatou a agência de notícias Kyodo, enquanto aumentam os temores a respeito de um sistema de saúde sob pressão.

O apelo do presidente da JMA, Toshio Nakagawa, veio na esteira do anúncio do primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, de que só pacientes de Covid-19 gravemente doentes ou correndo risco de ficarem graves serão hospitalizados, enquanto os outros se isolarão em casa --uma mudança de diretriz que alguns temem poder elevar o número de mortos.

O estado de emergência, que vigorava em Tóquio e Okinawa, foi estendido até 31 de agosto e ampliado para as províncias de Kanagawa, Saitama, Chiba e Osaka, onde as infecções também estão se propagando de forma recorde.

O Japão testemunha um aumento acentuado de casos de coronavírus. Tóquio, que teve uma alta recorde de 4.058 infecções novas no sábado, registrou 3.709 casos novos na terça-feira, totalizando mais de 12 mil em todo o país.

Os hospitais da capital já estão sentindo o impacto, disse Hironori Sagara, diretor do Hospital Universidade Showa, à Reuters.

"Existem alguns sendo rejeitados para internação repetidamente", disse ele em uma entrevista. "Em meio à empolgação com a Olimpíada, a situação é muito grave para os profissionais de saúde."

O secretário-chefe de gabinete, Katsunobu Kato, disse aos repórteres que menos idosos, a maioria já vacinados, estão sendo infectados.

"Por outro lado, as infecções de pessoas mais jovens estão aumentando, e pessoas de cerca de 40 e 50 anos com sintomas graves estão crescendo", explicou, acrescentando que alguns não puderam ser internados de imediato.

Suga anunciou a mudança de diretriz hospitalar na segunda-feira, dizendo que o governo garantirá a hospitalização de pessoas isoladas caso seja necessário. A diretriz anterior se concentrou em hospitalizar uma categoria mais abrangente de pacientes.

O premiê e os organizadores olímpicos dizem não haver relação entre os Jogos, de 23 de julho a 8 de agosto, e o aumento acentuado de casos.

Mas especialistas médicos dizem que realizar a Olimpíada enviou um recado confuso sobre a necessidade de permanecer em casa, contribuindo para o aumento de casos.

À diferença das restrições voluntárias e das taxas de vacinação baixas de outras partes do Japão, na Vila Olímpica para atletas e treinadores mais de 80% dos ocupantes estão vacinados, os exames são obrigatórios e a circulação é limitada.

Ainda na terça-feira, os organizadores anunciaram mais 18 casos novos de Covid-19 ligados aos Jogos, elevando o total registrado desde 1º de julho a 294.

Foto: Reprodução/ANN
Presidente da Associação Médica do Japão, Toshio Nakagawa
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