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Você deve se apressar para obter uma vacina contra COVID-19? Especialista no Japão diz que não

O imunologista prega que os profissionais de saúde não sejam os primeiros a serem vacinados

Crédito: Redação - 21/11/2020 - Sábado, 13:48h
Osaka - Duas grandes empresas farmacêuticas dos Estados Unidos anunciaram que suas vacinas contra o coronavírus foram confirmadas como sendo mais de 90% eficazes. Mas Masayuki Miyasaka, um importante imunologista da Universidade de Osaka, disse ao jornal The Mainichi em uma entrevista recente que mesmo depois que essas vacinas estiverem disponíveis, ele não planeja recebê-las por enquanto.

Em uma reunião do Comitê de Saúde, Trabalho e Bem-Estar da Câmara dos Representantes do Japão em 17 de novembro, Miyasaka declarou: "Não há dúvida de que sua eficácia é bastante elevada, mas sua segurança não é garantida de forma alguma", indicando cautela quanto às expectativas em relação às vacinas.

Diante do anúncio da Pfizer Inc. e da Moderna Inc. sobre suas vacinas serem mais de 90% eficazes, Miyasaka diz que as pessoas tendem a não entender isso. 

“Não significa que se você aplicar a vacina a 100 pessoas, ela funcionará em 90 delas. A ‘eficácia’ estima o quanto o início da doença diminuirá naqueles que foram vacinadas se você definir a taxa de infecções entre as pessoas não vacinadas em 1 como valor base. Portanto, ‘90% de eficácia confirmada’ é equivalente a ‘90% das pessoas que desenvolveram a doença sem serem vacinadas não a teriam contraído se tivessem sido vacinadas’".

Diante do fato de vacinas contra a gripe serem consideradas eficazes entre 30% e 50%, o valor de 90% surpreende Miyasaka. “Pensei que, mesmo que conseguissem desenvolver uma vacina, ela teria quase o mesmo nível de eficácia que as vacinas contra influenza, ou que se limitaria a prevenir casos graves da doença. Mas parece que não é o caso. Acho que precisamos prestar atenção no futuro em como esses números elevados surgiram”, sugere. 

O especialista explica que os ensaios clínicos de empresas dos Estados Unidos estão em uma “zona cinzenta”, citando que no desenvolvimento internacional de vacinas as partes normalmente precisam ser extremamente cuidadosas ao liberar dados provisórios dos estudos de fase 3, que representam o estágio final.  

Durante os ensaios de fase 3, os receptores são divididos em dois grupos, um dos quais recebe a vacina e o outro recebe um placebo, e nem os médicos nem os pacientes são informados sobre qual é qual quando as vacinações são realizadas. Isso evita preconceitos e confirma a eficácia e segurança da vacina. Essa técnica se chama "duplo-cego".

“Métodos de divulgação de informações que falem diretamente sobre os resultados de testes clínicos, como as duas empresas fizeram recentemente, são praticamente proibidos. Existe a possibilidade de que médicos e pacientes no ensaio possam descobrir os detalhes, comprometendo a "cegueira" da fase 3. Isso pode afetar a decisão de aprovar ou não o medicamento. As empresas americanas podem ter pensado que poderiam ter as vacinas aprovadas mais facilmente, criando a impressão desde o início de que suas vacinas são eficazes. Provavelmente, a competição intensa desempenha um papel nisso, mas se uma empresa fizer isso, as outras adotarão a mesma abordagem. É um motivo de preocupação”, analisa. 

Com relação ao fato de ambas as empresas não verem preocupação quanto à segurança das vacinas, Miyasaka afirma que a frequência dos efeitos colaterais graves da vacinação está na faixa de vários casos por milhão. 

“A escala do teste está atualmente na faixa de dezenas de milhares de pessoas, portanto, a menos que você aumente a escala para centenas de milhares, provavelmente não conhecerá os riscos reais”, diz. 

Miyasaka prossegue: “Olhando para trás na história do desenvolvimento de vacinas, apenas 4% vão desde os testes pré-clínicos (em animais) até a aprovação. Portanto, se houver 100 vacinas candidatas, 96 delas serão descartadas. Mas não porque elas fossem incapazes de produzir anticorpos. Mesmo que sejam eficazes no desencadeamento de uma resposta imunológica, a realidade é que a maioria delas é rejeitada devido aos efeitos colaterais”, explica. 

Segundo o especialista, os estudos atuais de fase 3 são realizados em pessoas que não foram infectadas com o novo coronavírus. Com as vacinas, existe o risco de aumento dependente de anticorpos (ADE), em que os anticorpos adquiridos através de infecções anteriores ou vacinações se comportam de forma anormal, fazendo com que a doença no paciente se torne grave. Mas durante os testes de fase 3, você não pode examinar a possibilidade de ADE - isso só pode ser feito depois que ele for colocado à venda.

Miyasaka defende que os profissionais de saúde não sejam os primeiros a tomar vacina contra a Covid-19 e explica o motivo. “Se você administrar as vacinas em profissionais da área médica quando os efeitos colaterais não forem claros, elas podem adoecer antes dos pacientes, o que tornaria as coisas difíceis. Quando novos tipos de gripe se espalharam, os médicos foram vacinados primeiro, mas isso ocorreu porque as vacinas contra gripe têm uma longa história de desenvolvimento e conhecem a frequência dos efeitos colaterais. No entanto, quando se trata de pessoas idosas, embora tenham um baixo nível de imunidade, é possível que não desenvolvam efeitos colaterais importantes porque estes são produzidos por uma resposta imunológica. Nessa perspectiva, é importante dar maior prioridade aos idosos”, defende. 

Com relação às vacinas contra a Covid-19, Miyasaki é enfático: “Eu tomo vacinas contra a gripe, mas não tomarei a nova vacina contra o coronavírus por um tempo, mesmo depois que ela estiver disponível. Sem dúvida, é bastante eficaz, mas não devemos nos concentrar apenas nisso. Quando se trata de administrar vacinas, provavelmente o mais importante é dar às pessoas o direito de decidir em que estágio devem ou não receber a vacina, respeitando as opiniões individuais em função dos riscos.”


Foto: iStockphoto

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