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Pandemia de coronavírus aprofunda crise demográfica do Japão

Número de nascimentos deve cair em 2021, afetando uma população que envelhece rapidamente

Crédito: Reuters - 28/10/2020 - Quarta, 10:55h

Tóquio - A queda no número de gravidez e casamentos no Japão durante a pandemia do coronavírus deve intensificar a crise demográfica no país cuja população envelhece rapidamente.

O Japão tem a sociedade mais envelhecida do mundo, com mais de 35% de sua população com 65 anos ou mais em 2050, uma tendência que representa riscos para o crescimento econômico e sobrecarrega as finanças do governo.

“Acho que a disseminação do coronavírus está deixando muitas pessoas preocupadas em engravidar, dar à luz e criar bebês”, disse Tetsushi Sakamoto, ministro responsável pelas respostas à queda na taxa de natalidade no Japão, em entrevista coletiva na última sexta-feira.

Dados oficiais publicados recentemente mostraram que o número de gestações notificadas nos três meses até julho caiu 11,4% em relação ao ano anterior, enquanto o número de casamentos no mesmo período caiu 36,9%. O acentuado declínio nos casamentos é um fator determinante porque a maioria dos bebês no Japão nasce de relações matrimoniais.

“Isso é muito sério porque os efeitos negativos podem permanecer, com a desaceleração econômica levando a menos casamentos e, em seguida, a menos nascimentos”, disse Hideo Kumano, economista-chefe executivo do Dai-ichi Life Research Institute.

A pandemia exacerbou uma tendência preexistente de queda na taxa de natalidade, que o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe chamou de "crise nacional". O número de nascimentos em 2019 caiu 5,8%, para cerca de 865 mil, o menor patamar de todos os tempos.

A Associação Pediátrica do Japão alertou que a queda na taxa de natalidade pode ser acelerada em dez anos por causa da pandemia, uma tendência que pode não apenas acabar com a medicina pediátrica, mas ter efeitos de longo alcance.

O Fundo Monetário Internacional previu um crescimento econômico global de 5,2% em 2021, mas espera que o crescimento do Japão seja de 2,3%. Kumano disse que o despovoamento é o principal fator nas diferentes perspectivas.

Uma pesquisa recente do jornal de negócios Nikkei mostrou que a maioria dos 22 economistas entrevistados espera que a economia japonesa não volte aos níveis pré-pandêmicos antes de 2024, indicando um obstáculo prolongado contra o casamento.

Os legisladores estão lutando para lidar com a crise, cobrindo tratamento de fertilidade com seguro de saúde e dobrando para ¥600 mil o limite superior de um subsídio governamental único para recém-casados.

“Existem várias previsões sobre o que acontecerá se o número de nascimentos continuar caindo, mas uma coisa é certa. Os sistemas atuais, incluindo o de seguridade social, não funcionarão mais”, disse à Reuters Masaji Matsuyama, ex-ministro que supervisiona a questão do declínio de nascimentos.

“Será uma crise em que estará em jogo a própria existência da nação como a conhecemos.”

Foto: Reuters
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