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Ministério da Saúde do Japão pesquisa casos de violência sexual entre crianças que sofreram abuso

O governo considea que este tipo de crime não é reportado

Crédito: Redação - 18/10/2020 - Domingo, 14:03h
Tóquio - O Ministério da Saúde e do Bem-Estar do Japão começou uma pesquisa sobre casos de abuso infantil para saber se as vítimas também sofreram de violência sexual, com o objetivo de lidar com os casos mais difíceis, especialmente se ocorrerem dentro de uma família, disseram autoridades no sábado.

A pesquisa foi motivada pela morte de Mia Kurihara, de 10 anos de idade, em janeiro do ano passado, devido a abuso físico em sua casa na província de Chiba.

A menina revelou quando estava temporariamente sob custódia que também havia sofrido abuso sexual. 

Na pesquisa, o Ministério está pedindo a todos os 220 centros de consulta infantil em todo o Japão para relatar casos dos quais inicialmente não sabiam, mas depois descobriram que as crianças abusadas também haviam sofrido abuso sexual.

Os centros estão autorizados a oferecer proteção temporária a crianças vítimas de abusos, orientar os pais e entrar em residências quando necessário para a fiscalização e têm atendido a um número crescente de casos do gênero nos últimos anos.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar planeja compilar um relatório até março do próximo ano, disseram as autoridades.

De 159.838 casos de abuso infantil relatados ou encaminhados aos centros de consulta no ano fiscal de 2018, consta que 55,3% envolveram abuso psicológico; 25,2% casos de abuso físico; 18,4% de negligência e apenas 1,1% abuso sexual.

Mas os especialistas veem a aparição pequena da violência sexual nos dados como apenas a "ponta do iceberg", porque as vítimas costumam manter suas situações em segredo, especialmente quando os agressores são da família, por medo de que divulgar sua situação possa levar à separação da família.

Antes de sua morte, pela qual o pai de Mia foi condenado a 16 anos de prisão, a menina da quarta série foi levada para um dos centros depois que um questionário escolar revelou a violência de seu pai.

Apesar de ela ter falado de seu abuso sexual, o abrigo temporário permitiu que ela voltasse para casa sem tomar nenhuma medida especial, de acordo com o governo da província que investigou o caso.

“No momento, existe o risco de que crianças abusadas sexualmente não possam receber atendimento se seus casos não forem reconhecidos como envolvendo este tipo de crime”, disse um funcionário do ministério.

Existem também outros casos de ofensas sexuais repetidas contra crianças em ambiente doméstico que vieram à tona no Japão, incluindo um em que um pai foi considerado culpado pelo Tribunal Superior de Nagoia (Aichi) de abusar sexualmente de sua filha.

Um ambiente social deve ser criado para tornar mais fácil para as crianças reclamarem de abuso sexual e obter proteção sem sofrer nenhum tratamento prejudicial, disse Hiroyuki Suzuki, professor associado da Universidade Rissho, especialista em bem-estar infantil.


Foto: iStockphoto 



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