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A crise da Covid-19 mudou comportamentos e hábitos no Japão

Confira as mudanças que fazem parte do novo estilo de vida em reportagem publicada na revista Alternativa, edição 494

Crédito: Redação - 17/08/2020 - Segunda, 11:44h
Tóquio - Com o prolongamento da pandemia de Covid-19, muitas pessoas acabaram incorporando à sua rotina algumas das medidas que haviam sido criadas para lidar com a crise. 

O temor de novas ondas de contágio e a falta de uma vacina tornaram banais, por exemplo, atividades virtuais e o uso indiscriminado de máscaras e de álcool gel. 

Segundo o psiquiatra Guilherme Messas, professor da Faculdade da Santa Casa de São Paulo, o novo normal pós-coronavírus será o padrão de distanciamento entre os indivíduos. 

Ele afirma que as pessoas terão que se adaptar a uma realidade de distância física, porém sem se afastar de coração. 

E a tecnologia tem ajudado a humanidade a resistir a uma intempérie tão prolongada como essa. 

Mesmo fisicamente distantes dos familiares e dos amigos, aplicativos como Zoom, WhatsApp e Skype possibilitam videochamadas para colocar os assuntos em dia e até promover confraternização virtual.

A psicóloga Rubia Infanti, que atende pelo Sabja (Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão), não acredita que o distanciamento social possa trazer efeitos negativos em longo prazo. 

“Mesmo que exista menor contato físico, as pessoas continuarão rindo e tendo emoções positivas”, diz, e ressalta a importância de ter interações reais para o aprendizado e a comunicação com o outro. 

Um estudo famoso no campo da psicologia do desenvolvimento infantil da pesquisadora Patricia Kuhl, realizado em 2003, mostrou que os bebês de 9 meses são capazes de aprender os contrastes de uma língua estrangeira somente quando estão em interações reais, e não por intermédio de uma tela de televisão. 

“É claro que as interações virtuais são também essenciais para mantermos nossas relações, mas não deveriam ser substitutos de uma interação social, mesmo se estamos mais distantes fisicamente do que antes.”

Apesar da insegurança dos tempos atuais, Rubia diz que nada disso deveria impedir as pessoas de estarem bem emocionalmente. “A partir do momento que entendemos e aceitamos que não temos o controle da situação, podemos aproveitar o presente e enxergar o lado positivo deste novo normal.”

SEM ABRAÇO NEM BEIJINHO

Com a pandemia, abraços e beijinhos no rosto acabaram abolidos dos cumprimentos, mas têm feito falta para muita gente. 

Intrigado com isso, o professor Daisuke Onuki, da Universidade Tokai, tem usado as redes sociais para saber como se sentem os brasileiros. 

“Meus amigos estão dando uma pausa nesses costumes, seja em bairros chiques de São Paulo, na Liberdade (bairro oriental paulista), em favelas ou na comunidade brasileira no Japão”, conta. 

Para Onuki, ainda é muito cedo para avaliar. “Mas acho que estes costumes vão sofrer uma transformação”, diz. 

O professor criou o grupo Beija Me Liga e há 30 anos oferece oficina sobre os vários tipos de cumprimentos pelo mundo e seu significado. 

“Cada um tem algo essencial que demonstra a qualidade e o valor daquela cultura. No aperto de mão você percebe o respeito à individualidade, enquanto no beijinho é fácil observar o calor humano. Já na reverência típica aqui no Japão, mesmo sem tocar nem olhar, a gente sente o interior da pessoa na nossa frente”, afirma. 

No novo normal a que se refere o psiquiatra Guilherme Messas, talvez os brasileiros passem a se tocar menos e a contatar mais com o outro. 
As pessoas deverão buscar um modo sustentável de continuar vivendo próximo das outras, mesmo estando fisicamente um pouco mais distantes do que antes da pandemia.

MUNDO PÓS-COVID

- As máscaras vieram para ficar. Ganharam cores e novas texturas, ficando mais fashion. Há versões customizadas. 

- Higienização das mãos é parte da etiqueta. Talvez não leve os 30 segundos recomendados hoje, mas deve ser feita com esmero e a ajuda de sabão.

- A experiência do teletrabalho agradou muita gente. As empresas devem continuar nesse sistema, mesmo após o fim da pandemia. 

- Cada vez mais atividades serão feitas de forma remota. Consultas médicas e vendas online, além da educação a distância, estão em franco crescimento.

- Muitos professores foram obrigados a se reinventar para criar aulas virtuais. A experiência deverá provocar mudanças quando eles retomarem as aulas presenciais. 

- As cabines transparentes utilizadas em algumas escolas podem cair em desuso, mas a versão divisória deverá continuar decorando bares e restaurantes.

- Mesmo sem o público presente, eventos esportivos e shows podem ser realizados com sucesso. 

> A reportagem completa pode ser lida na edição 494 da revista Alternativa, de 2 de julho de 2020


Fotos: iStockphoto

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