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Cineasta Tizuka Yamasaki fala do orgulho de suas origens

Em entrevista exclusiva, Tizuka cita os 30 anos da comunidade brasileira no Japão

Crédito: Redação - 24/07/2020 - Sexta, 16:36h

Matéria publicada na revista Alternativa, edição 493

Tóquio - A consagrada cineasta, produtora e roteirista Tizuka Yamasaki fala de suas raízes orientais. Nascida em uma fazenda no interior do Rio Grande do Sul, ela foi criada em Atibaia (SP). Foi para Brasília cursar arquitetura na Universidade de Brasília (UnB), mas transferiu-se para a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no curso de cinema.

Seu primeiro longa-metragem, “Gaijin, Caminhos da Liberdade” (1980), foi inspirado na história de sua avó. Com esse filme ela conquistou vários prêmios, incluindo o de melhor filme no Festival de Gramado e uma menção especial do júri no Festival de Cannes daquele ano.

Tizuka retomou o tema da imigração japonesa 25 anos depois com “Gaijin: Ama-me como Sou” (2005), contando a vinda de decasséguis.

Em sua opinião, o que é ser nikkei?

Ser nikkei para mim é ter vínculos com a cultura japonesa. Eles podem ser totalmente abstratos, emocionais, muitas vezes não identificáveis, e se apresentam de várias formas no imaginário da minha criatividade, nas relações da minha vida pessoal. Se ser reconhecida nikkei no passado era um constrangimento, hoje é um orgulho. 

Em 1980 tivemos “Gaijin - Caminhos da Liberdade” e 25 anos depois, “Gaijin, Ama-me como Sou”, com a saga de quatro gerações de mulheres. Na hipótese de o filme ter uma sequência hoje, qual seria o desdobramento?

Nao sei. Não tenho nada programado para essa continuidade, pelo menos no tamanho dos dois épicos que fiz. Ainda mais agora que vamos entrar no pós-pandemia e nos dar conta do tanto que o setor audiovisual foi prejudicado. Mas estou desenhando um episódio para uma série de TV que se chama “O Poço dos Antepassados”, inspirado num capítulo lindo e comovente do romance de André Kondo, chamado “Além do Horizonte”. 

↑ Cena de “Gaijin, Caminhos da Liberdade” (Foto: Linda Conde/Cedida)

Ele poderia tocar na questão da identidade das pessoas que se seguiram à dona Titoe (personagem do filme “Gaijin”)?

Penso que qualquer coisa que fizermos, seja via audiovisual ou outras manifestações artísticas – meus filhos, o André Kondo, eu e tantos outros descendentes japoneses – estaremos tocando na questão da identidade nikkei. 

E quais valores herdados da matriarca você acha que permaneceriam intactos?

Muito difícil dizer. Na medida que você vai perdendo a semelhança física dos seus antepassados, perdendo o nome japonês e se integrando na cultura local, esses valores herdados vão se dissipando até se perder totalmente. Mas nada impede que alguém com descendência remota, se manifeste interessado em fazer um contato com a cultura de seus ancestrais.

Depois de 30 anos desde o início do movimento decasségui, temos uma primeira geração de jovens que, mesmo nascidos aqui e sem nunca terem ido ao Brasil, por lei são “gaijin”. Se essa saga brasileira no Japão fosse transportada para as telas, daria que tipo de filme?

Vai depender de quem filmar, do seu olhar, da sua opinião, do seu comprometimento com a cultura japonesa. Essa questão de busca da identidade, essas perguntas “quem sou eu” e particularmente essa situação do Japão em não reconhecer os nascidos, é muito doloroso para esses “sem pátria”. É muito duro você não ser considerado pertencente àquele povo, se é desse lugar e dessa gente que vem a memória da infância. Ela deveria dar a segurança pra você prosseguir na luta pela vida e pela felicidade pessoal. Você não tem lembranças de outros lugares como sendo seu. O meu lugar é aquele cujas imagens, cheiros, sons, músicas, sabores, permaneceram nas minhas lembranças. Essa saga brasileira de 30 anos será melhor contada por alguém que vive dentro dela, seja através de um filme, de uma pintura ou uma canção. 
 
Qual sua opinião sobre a “asiafobia” que tem sido mais frequente com a pandemia do coronavírus?

Preconceito nasce quase sempre da ignorância das pessoas sem horizonte, sem instrução, sem cultura. São pessoas mal-amadas com visão curta da vida e da humanidade. Por eu não saber quem eu era, e com a história oficial do Brasil ignorante da história dos valentes imigrantes japoneses, assim como de tantos de várias partes do mundo, fiz o primeiro “Gaijin”. Quis expor a história de nossos antepassados imigrantes, todos “gaijins”, independentemente da cor da pele, ideais, sonhos e o desejo de amar e ser amado.

Foto: Cedida/Alternativa 
Cartaz de “Gaijin, Ama-me Como Sou”, criação de Marcelo Pallotta

A matéria completa pode ser lida na revista Alternativa, edição 493, de 18 de junho de 2020
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