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Reflexos emocionais do isolamento social em tempos de pandemia no Japão

Como medidas restritivas adotadas na pandemia do coronavírus afetam o lado emocional das pessoas

Crédito: Antônio Carlos Bordin - 05/07/2020 - Domingo, 08:40h
Tóquio - O estado de emergência já foi suspenso no Japão, mas a pandemia do coronavírus tem provocado mudanças profundas no comportamento e refletido no lado emocional das pessoas, talvez mais do que se poderia imaginar. 

O medo de ser contaminado e o crescente aumento de vítimas fatais da Covid-19 fizeram com que muitas atividades rotineiras fossem suspensas. 

Embora não seja compulsório no Japão, o isolamento social foi a medida adotada pela maioria das pessoas para conter riscos de infecção. 

Porém, a mudança no cotidiano pode afetar emocionalmente e causar estresse nas pessoas. 

Entre os brasileiros, os efeitos também são visíveis. 

“Cada indivíduo está interpretando o isolamento de forma particular”, explica a psicóloga Paula Sakata. 

Segundo ela, que atende no Projeto Tsuru, algumas pessoas têm muita dificuldade de lidar com novidades e mudanças. Tendem a ver tudo da forma mais negativa possível, o que acaba não contribuindo muito para a própria saúde mental e das que a cercam ou dependem dela. 

O isolamento social pode gerar situações variadas e imprevisíveis. Há quem decida refletir sobre a vida que tem levado, enquanto outras partem para brigas e os conflitos com os filhos.

“Com o estresse pode-se desenvolver patologias, como ansiedade, síndrome do pânico,  depressão, entre outras doenças psicossomáticas”, afirma. A psicóloga deixa um conselho: “Gostaria que levassem em consideração que tudo passa. Cada momento é único e devemos considerá-lo como um presente que teremos disponível no livro de nossas memórias. Cabe a nós selecionarmos aquilo que queremos lembrar em relação a essa passagem pela pandemia”.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

No final de abril, a Organização das Nações Unidas (OMS) havia divulgado que o isolamento social poderia aumentar em 20% os casos de violência doméstica, porque as vítimas estão praticamente presas com seus abusadores. 

Na estatística do Fundo Populacional das Nações Unidas , em cada três meses de isolamento social poderão surgir até 15 milhões de casos de violência doméstica a mais em comparação à média. 

Para a ONU, as crianças estão ficando ansiosas e aumentam os casos de depressão e ansiedade entre adultos. 

No Japão não tem sido diferente, segundo Tomoko Suga, professora da Universidade Rakuno Gakuen em Hokkaido, que estuda sobre a violência doméstica e formas de prevenção. 

“Anteriormente, o marido e a esposa saíam para trabalhar e não se viam a maior parte do dia. Mas agora são forçados a ficar em casa porque as empresas adotaram o sistema de trabalho remoto ou porque um deles perdeu o emprego – e eles estão se envolvendo em conflitos.”

Uma das instituições especializadas em consultoria para violência doméstica no país, a Eepurasu, relatou os principais motivos de consulta em uma reportagem da emissora pública NHK, entre eles, brigas entre casais motivadas pela redução da renda, explosões de raiva devido à bagunça das crianças em casa e discussões que acabam terminando em violência física.

A Eepurasu atende consultas semelhantes também pelo Line, voltado para pessoas que não podem falar ao telefone, quando o agressor vive na mesma casa. 

“Muitas vezes, a insegurança pelo amanhã e o estresse acabam se voltando contra os familiares. Quem se sentir ameaçado pode ligar para algum centro de ajuda ou até mesmo pedir ajuda à polícia”, disse uma representante da entidade.

Os filhos acabam sofrendo também com o clima tenso dentro de casa. Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, as consultas relacionadas ao tema aumentaram em até 20% nos três primeiros meses do ano, totalizando mais de 50 mil ligações.

Só o Centro de Assistência Infantil de Sapporo (Hokkaido) registrou 146 ocorrências policiais envolvendo violência contra as crianças em março, quase o dobro em comparação ao mesmo período do ano anterior.  

COMO AGIR 

Segundo a organização sem fins lucrativos (NPO, na sigla em inglês), SOS Mamães no Japão, toda mulher que sofre violência doméstica deve ir até a polícia para denunciar o crime. Melhor ainda se tiver provas das agressões sofridas. Mas se não tiver, a queixa deve ser feita assim mesmo. 

A SOS informa que hoje quase todos os formulários que as vítimas de violência doméstica têm que preencher já estão traduzidos para o português. 

Mas se a vítima tiver ferimentos, ela deve ir até um hospital antes de prestar queixa e pedir um atestado de corpo delito. Porém, não é uma regra ir antes ao hospital. 

É importante, porém, que a mulher chegue à delegacia com um atestado médico escrito “violência doméstica”, favorecendo a prestação de assistência por parte da polícia. 

Os policiais possivelmente irão perguntar para a vítima se ela quer ir a um abrigo ou se tem algum lugar para se refugiar do agressor. Pode ocorrer de os policiais não questionarem isso, mas como é um direito da vítima receber proteção, ela mesma pode mencionar a necessidade de ir para um abrigo. 

É importante que a vítima siga até o final do processo, para que receba a proteção a que tem direito e um lugar para se refugiar. 

Vale lembrar que os pedidos de proteção à vítima e de refúgio são atendidos em conjunto pela Prefeitura e pelo setor de Assistência Social. 

Serviço
Consultas sobre violência doméstica
Diante do aumento das consultas relacionadas à violência doméstica, o Gabinete do Governo japonês instalou um telefone de atendimento específico, o DV Soudan+:
- Número gratuito: 0120-279-889
- Idiomas: português, espanhol, japonês, tagalog, inglês, chinês, coreano, tailandês e vietnamita
- Atendimento: do meio-dia às 22h, diariamente. O atendimento em japonês funciona 24 horas
- Tipos de ajuda: visita pessoal, proteção e instalação em abrigos
- Site: https://soudanplus.jp
Consultas sobre violência contra crianças
- Número gratuito: 189
- Idioma: japonês
- Atendimento: 24 horas
- Tipos de ajuda: visita pessoal, proteção, intervenção da polícia, recolhimento nos Centros de Assistência Infantil
:: Consulte outros serviços de assistência em português voltados especificamente para a comunidade brasileira na seção Telefones Úteis da revista Alternativa.

>> A reportagem completa pode ser lida na revista Alternativa, edição 492, de 4 de junho de 2020.


Foto: iStockphoto
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