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Reino Unido e EUA testarão vacinas contra Covid-19 em milhares de voluntários

Nos EUA a operação envolverá mais de 100 mil pessoas e várias candidatas a vacina no combate ao coronavírus

Crédito: Reuters - 23/05/2020 - Sábado, 14:37h
Londres - A Universidade de Oxford e a AstraZeneca planejam recrutar cerca de 10 mil adultos e crianças do Reino Unido para testes de uma vacina experimental contra coronavírus que recebeu um aporte de mais de 1,2 bilhão de dólares dos Estados Unidos na quinta-feira. 

Nesta sexta-feira (22), a universidade disse que instituições parceiras de todo o Reino Unido começaram a recrutar até 10.260 adultos e crianças para ver quão bem o sistema imunológico humano reage à vacina e quão segura ela é.

Um teste inicial que começou em 23 de abril já aplicou a injeção em mais de mil voluntários de idades variando entre 18 e 55 anos, e Oxford disse que as fases 2 e 3 acrescentarão pessoas de 56 anos e mais velhas, além de crianças de 5 a 12 anos.

"A velocidade com que esta nova vacina avançou para testes clínicos de fase adiantada é um testemunho da pesquisa científica pioneira de Oxford", disse Mene Pangalos, executivo da AstraZeneca.

A AstraZeneca já tem o Reino Unido e EUA como parceiros para produzir a vacina em escala industrial, antecipando-se à confirmação de que ela funciona e é segura.

A empresa diz que é capaz de produzir um bilhão de doses em 2020 e 2021. Ela planeja entregar pelo menos 400 milhões a partir de setembro deste ano, com 100 milhões fornecidos na Grã-Bretanha.

ESTADOS UNIDOS

Os Estados Unidos planejam envolver mais de 100 mil voluntários e cerca de meia dúzia das mais promissoras candidatas a vacina contra o coronavírus para cumprir a meta de entregar uma imunização segura e efetiva para a doença até o final deste ano, disseram à Reuters cientistas que lideram o programa.

O projeto vai reduzir o tempo de desenvolvimento de uma vacina, que geralmente é de 10 anos, e testá-la em questão de meses, numa demonstração da urgência para conter uma pandemia que já infectou mais de 5 milhões de pessoas, matou mais de 335 mil e abalou economias em todo o mundo.

Para fazer isso, os principais fabricantes de vacina concordaram em compartilhar dados e emprestar a utilização de sua rede de testes clínicos a concorrentes caso sua própria candidata a vacina fracasse, disseram os cientistas.

Candidatas que demonstrarem segurança em estudos iniciais pequenos serão testadas em larga escala, de 20 mil a 30 mil indivíduos para cada vacina, a partir de julho.

Entre 100 mil e 150 mil pessoas podem estar envolvidas nos estudos, disse o doutor Larry Corey, especialista em vacina do Fred Hutchinson Cancer Center, em Seattle, que está ajudando a desenvolver os experimentos.

"Se você não enxergar um problema de segurança, você simplesmente vai adiante", disse o doutor Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), à Reuters.

O esforço para a vacina é parte de uma parceria público-privada chamada "Accelerating COVID-19 Therapeutic Interventions and Vaccines (ACTIV)" --Acelerando as intervenções terapêuticas e as vacinas para Covid-19-- anunciada no mês passado.

O esforço está no âmbito do braço de pesquisa e desenvolvimento da "Operation Warp Speed" (operação velocidade de dobra), o programa anunciado pela Casa Branca na semana passada para acelerar o desenvolvimento de uma vacina.

As vacinas, que são usadas em pessoas saudáveis, são tipicamente testadas em etapas sucessivas, começando com testes em animais.

Os testes em humanos começam com um pequeno experimento de segurança em voluntários saudáveis, seguido de um estudo maior para determinar a dosagem correta e ter uma primeira leitura da eficácia. O estágio final consiste em testes de larga escala em milhares de pessoas. Só após isso um desenvolvedor de vacina se compromete com a fabricação de milhões de doses.

Na era do coronavírus, muitas dessas etapas serão sobrepostas, particularmente nos estágios do meio e nos estágios finais da testagem, disseram Collins e Corey.

A abordagem tem seus riscos, pois algumas questões de segurança aparecem apenas em testes de larga escala. Os norte-americanos estão preocupados com a grande velocidade nos esforços para se chegar à vacina, mostrou uma pesquisa Reuters/Ipsos.

Uma vacina altamente efetiva pode ser testada em até seis meses se houver uma grande diferença entre o grupo que tomou a vacina e o que tomou placebo, disse Corey. Para uma vacina moderadamente efetiva, os testes podem levar de nove meses a um ano.

O governo dos EUA mobilizou bilhões de dólares para ajudar fabricantes a produzirem doses de vacina que podem jamais se mostrarem bem-sucedidas.

FINALISTAS

Para obter a resposta mais rápida, as vacinas serão testadas em profissionais de saúde e comunidades em que o vírus ainda está se espalhando para descobrir se elas reduziram os casos novos de Covid-19.

Washington D.C, que ainda não chegou ao pico de seu surto, é um local de teste provável. Testes podem ser realizados no exterior, inclusive na África, onde o vírus começa a se disseminar, disse Collins.

O governo planeja recorrer às suas próprias redes de testes, como as 100 instalações de saúde do Departamento de Assuntos de Veteranos, em busca de possíveis voluntários para estudos, e as empresas farmacêuticas recrutarão pessoas de suas redes de pesquisas clínicas.

A vacina da Moderna , desenvolvida em parceria com o NIH, será a primeira a entrar em testes de larga escala em julho, e pode ser acompanhada por uma vacina das britânicas Universidade de Oxford e AstraZeneca, disse Collins.

Na quinta-feira, o governo dos EUA disse que desembolsará 1,2 bilhão de dólares para garantir 300 milhões de doses da vacina de Oxford.

"O que podemos tentar fazer é realizá-los (testes) lado a lado, mas com uma unidade de controle" que também incluiria 10 mil indivíduos saudáveis inoculados com uma vacina falsa, disse Collins.

A candidata da Moderna já está seguindo para os testes intermediários em humanos. As vacinas de Johnson & Johnson, Sanofi e Merck estão um mês ou dois atrás das pioneiras e "podem ser acrescentadas no decorrer do verão (no Hemisfério Norte)" após os testes iniciais com humanos, acrescentou Collins.


Foto: Reuters

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