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Abe classifica coronavírus como "crise nacional", mas não cita emergência por enquanto

O Japão proibiu a entrada de pessoas de 21 países europeus e do Irã

Crédito: Reuters - 27/03/2020 - Sexta, 09:58h

Tóquio - O Japão proibiu na quinta-feira (26) a entrada de pessoas vindas da Europa e alertou para o risco de disseminação desenfreada do coronavírus no país, depois de uma disparada de casos em Tóquio.

O governo japonês também criou uma força-tarefa para enfrentar a crise, um passo rumo a um possível estado de emergência, embora as autoridades tenham dito que não planejam uma medida nesse sentido por enquanto.

"Para poder superar o que pode ser descrito como uma crise nacional, é necessário que governos estaduais e locais, a comunidade médica e o povo atuem como um só e persistam nas medidas contra as infecções de coronavírus", disse o primeiro-ministro, Shinzo Abe, durante uma reunião da força-tarefa.

Abe anunciou uma proibição à entrada de pessoas de 21 países europeus e do Irã a partir desta sexta-feira. Ele ainda disse que criou a força-tarefa depois de receber um relatório segundo o qual a chance de o vírus se disseminar amplamente é alta.

A emissora NHK disse que 47 casos novos foram relatados em Tóquio na quinta-feira. As autoridades receiam que uma disparada de casos na capital nos últimos dias signifique que o Japão, que até agora escapou do tipo de proliferação em massa que atingiu a Europa e a América do Norte, esteja a caminho de uma nova onda das grandes.

Até a manhã desta sexta-feira, o Japão tinha 1.402 casos de coronavírus, além de 712 do navio de cruzeiro Diamond Princess, segundo uma contagem da NHK. Houve 47 mortes no país, sem contar os 10 óbitos de passageiros do navio.

"Eu disse ao primeiro-ministro Abe que existe um risco alto de o coronavírus se disseminar amplamente", disse o ministro da Saúde, Katsunobu Kato, a repórteres, depois de se encontrar com o premiê e o ministro das Finanças, Yasutoshi Nishimura.

O Japão teve um foco precoce do surto de coronavírus, já que inicialmente o navio de cruzeiro foi a maior fonte de infecções fora da China, mas até o momento vinha sendo poupado da contaminação em massa que está obrigando europeus e norte-americanos a lidarem com milhares de casos novos a cada dia.

Cerca de 40% dos novos casos em Tóquio têm origem desconhecida, ou seja, não se sabe como, onde e quando a transmissão ocorreu. Isso está fazendo muitos japoneses esperarem que o governo anuncie um estado de emergência, dando às autoridades locais uma base legal para pedir aos moradores e negócios para restringirem a circulação e o trabalho.

Nishimura disse que nenhuma declaração do tipo está planejada para este momento.

De acordo com uma lei revisada neste mês em reação ao coronavírus, o premiê pode declarar um estado de emergência se a doença representar "um perigo grave" para a vida da população e se sua propagação rápida ameaçar provocar um dano econômico severo.
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