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Festival de demônios tenta sobreviver no Japão: “Tem algum menino mau aqui?”

Homens com máscaras, chifres e capas de palha invadem as casas e assustam crianças no norte do país

Crédito: Reuters - 07/03/2019 - Quinta, 09:52h

Oga - Quando criança, Tatsuo Sato ficava aterrorizado quando os demônios Namahage invadiam sua casa todos os anos, mas agora, aos 78 anos, ele lamenta ver a tradição secular acabando na península de Oga (Akita).

“As crianças desapareceram, os jovens desapareceram. Tivemos que desistir ”, disse Sato sobre as visitas de véspera de Ano Novo feitas por homens com máscaras, chifres e capas de palha, todos gritando: “Tem algum menino mau aqui?”

Os demônios passam de casa em casa em busca de crianças que não se comportaram durante o ano ou foram muito preguiçosas, e dizem que elas devem obedecer os pais.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu o Namahage como propriedade cultural no ano passado, dando nova vida à tradição.

Mas especialistas dizem que o reconhecimento, que inclui várias tradições similares nas quais os "deuses" fantasiados visitam aldeias, não garante automaticamente a sobrevivência. Em alguns casos, pode até sufocar as mudanças que ajudam a manter os grupos, como incluir pessoas de fora ou mulheres.

"Dentro desta designação da Unesco, há vários grupos que, acredito, podem não conseguir continuar - ou não conseguir continuar em sua forma atual", disse Satoru Hyoki, professor de história cultural da Universidade Seijo, em Tóquio.

O distrito de Masukawa (Akita) reviveu seu tradicional ritual de Ano Novo no ano passado depois de 12 anos, graças em parte a um grupo de jovens da área, cuja população diminuiu para apenas 130 pessoas nas últimas duas décadas.

A península de Oga tinha 120 grupos de Namahage em 1989, mas esse número caiu para 85 em 2015, porque apenas homens jovens são autorizados a participar.

Algumas vilas aumentaram o limite de idade, enquanto outras receberam jovens de fora. Um deles, Haruki Ito, surgiu com a idéia de convidar pessoas de todo o Japão para participar em Masukawa.

"Talvez se as mulheres fizessem isso, tivéssemos pessoas suficientes, mas eu não acho que temos que ir tão longe", disse Sato, que se vestia de demônio quando era mais jovem.

TESOURO TURÍSTICO
Autoridades locais esperam que a designação da Unesco estimule um impulso econômico baseado no turismo, tão necessário em lugares como Oga, uma península remota a 450 quilômetros ao norte de Tóquio, e no distrito de Masukawa, onde Sato mora.

Economicamente, a atenção já ajudou. O festival Namahage Sedo, em Oga, realizado no início de fevereiro, atraiu 7.600 pessoas, em comparação com 6.100 em 2018.

O festival, no qual um desfile de demônios carregando tochas segue por uma montanha coberta de neve, aumenta a população de Oga em quase 30 por cento à medida que turistas chegam, esperando que a palha das capas dos demônios caia perto deles durante a procissão esfumaçada.

Por enquanto, Oga tem aumentado o interesse em promover durante o ano tudo o que for relacionado a Namahage, incluindo biscoitos com tema demoníaco, carimbos de borracha e até mesmo máscara facial.

Muitos objetos são criados por Kokoro Ohtani, uma jovem de 24 anos que se mudou do sul do Japão e ficou apaixonada pelo Namahage.

Ohtani disse que o respeito por seus amigos e sua reverência às formas tradicionais a impediram de pressionar para participar do festival.

"Há um pouco de choque dentro de mim, mas não é discriminação ou chauvinismo", disse ela. "Quero continuar tentando para que, um dia, quando permitirem que as mulheres participem, eu possa ser escolhida".

Foto: Reuters
Festival Namahage, em Akita

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