Outras Edições

Em destaque Comunidade

Visto com limite de idade pode tirar chance de 150 mil yonseis, diz diretor do Ciate

Yasuyuki Nagai ressalta, porém, que nada foi definido pelo governo japonês

Crédito: Marly Higashi/Alternativa - 07/08/2017 - Segunda, 09:50h

São Paulo - Considerado um dos mais importantes órgãos representativos da comunidade nikkei e um interlocutor de peso junto ao governo japonês, o Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior), de São Paulo, se mostra favorável à concessão do visto para yonseis com menos barreiras restritivas que as anunciadas em reportagem do jornal Yomiuri do dia 31 de julho. 

A entidade mostrou simpatia pela proposta do deputado nipônico Mikio Shimoji, que defende a liberação do visto sem limite de idade e extensivo ao cônjuge, além de regras brandas para a renovação da licença de permanência. O diretor superintendente do Ciate, Yasuyuki Nagai, de nacionalidade japonesa, sustenta esta posição com forte argumento estatístico.

Segundo ele, em uma única pesquisa realizada em 1988, constatou-se que havia 1,22 milhão de nikkeis no Brasil, 12,9% dos quais yonseis, correspondentes a 159 mil pessoas. “Como já se passaram 29 anos, se o limite de idade até 30 anos prevalecer, é provável que 150 mil yonseis percam a chance do benefício do visto, já que ultrapassaram esta idade”, disse Nagai.

Pela lógica matemática, só se enquadrariam neste requisito os yonseis nascidos de 1987 pra cá. “Seria uma perda lamentável”, analisa.

Ele se mostra inclinado à liberação do visto para o cônjuge. “A prorrogação da estadia se baseia no princípio básico da longa permanência. Se a entrada do cônjuge não for permitida, a família ficaria separada por muito tempo, o que não é recomendado”, pondera.

O diretor superintendente vê com ressalvas a aplicação do teste de proficiência, nível 3, para a renovação do benefício. Na opinião de Nagai, mesmo dominando a linguagem oral do dia-a-dia, se o pretendente não for aprovado no teste, todo o seu empenho para se estabilizar e sedimentar sua vida no exterior ficaria em vão.

Uma das ideias propostas no novo sistema working holiday é a de que  somente as empresas com programa de ensino da língua e cultura japonesa estariam habilitadas a receber os novos descendentes. A questão, porém, é a grande disparidade de níveis de conhecimento da língua japonesa dos candidatos.

Nagai lembra o caso dos yonseis que foram obrigados a voltar com os pais ao Brasil, tangidos pela crise global de 2008. Muitos deles mostram mais proficiência no japonês que português. “Por isso submetê-los a um curso de japonês unificado seria limitar as oportunidades de emprego para eles”, prevê.

O órgão mostrou preocupação com uma das propostas em análise, a de o trabalhador não ter liberdade de escolher seu emprego, pois isso poderia torna-lo suscetível a condições severas de trabalho.

Nagai vai além. Diz que o Ciate defende um visto para yonseis com o mesmo status dos nisseis e sanseis, sem muitas restrições. Esta postura foi expressa no pedido feito ao governo japonês, no qual assinaram mais cinco relevantes entidades nipo-brasileiras em junho de 2016.

Segundo ele, em 1990, com a liberação da licença para trabalho aos sanseis, houve crescimento expressivo do contingente nikkei no Japão. Os índices de criminalidade aumentaram, tornando-se um problema social. Porém, o Ministério da Justiça passou a exigir o atestado de antecedentes criminais emitido pelos dois países.

Com esta exigência e a tendência de permanência a longo prazo, criaram-se condições mais estáveis de vida. Em consequência, os delitos diminuíram. Além disso, os órgãos locais aprimoraram suas estruturas de atendimento em português.

Na opinião dele, resta um grande desafio, a de criar ambiente propício à escolarização das crianças estrangeiras. Seria necessário acolher as crianças fora das salas de aula e dar apoio às com insuficiência na língua japonesa, além de tomar medidas para evitar desajustes familiares por conta da dificuldade da comunicação decorrente da barreira do idioma.

Torcendo por um projeto menos afunilado que o noticiado pelo jornal Yomiuri, Nagai ressalta, porém, que nada está definido, recomendando que os brasileiros aguardem a definição. Cabe lembrar que o Ciate é um dos órgãos mais cotados a se tornar uma espécie de coordenador deste programa no Brasil, assim que entrar em vigor.

Foto: Cedida
Yasuhiro Nagai, do Ciate, é um dos porta-vozes da comunidade nikkei no diálogo com o governo nipônico
Compartilhe
Comentários

1532 vagas disponíveis em todo o Japão

1 ano
26 edições
¥5.980 ienes
ASSINE A
REVISTA
RECEBA SEM SAIR DE CASA
PARTICIPE DE TODAS AS NOSSAS PROMOÇÕES
qr code alternativa
Telefone
050-6860-3660
Fax
03-6383-4019
Nippaku Yuai Co., Ltd.
〒151-0071
Tokyo-to Shibuya-ku Honmachi 1-20-2-203