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Freira japonesa acusada de escolher crianças para padres pedófilos na Argentina

Kumiko Kosaka escolhia as crianças mais submissas e colocava fraldas para esconder as hemorragias

Crédito: Redação - 07/05/2017 - Domingo, 17:25h

Buenos Aires - "Eu sou uma boa pessoa que entregou a vida a Deus", disse a freira Kumiko Kosaka. Ainda vestindo seu hábito, mas com algemas e colete à prova de balas, a religiosa se declarou inocente perante o juiz que a acusou de cúmplice dos sacerdotes que, durante anos, abusaram sexualmente de crianças surdas que estavam sob os cuidados dela no Instituto Provolo de Mendoza, na Argentina.

Kumiko saiu do Japão e chegou ao instituto em 2007, e, por seis anos, era "o diabo com um rosto de mulher" por trás dos estupros, como a chamou um dos advogados das vítimas. Uma adolescente disse que quando ela tinha apenas cinco anos, Kumiko colocou uma fralda para esconder a hemorragia produzida pelo estupro sistemático a que era vítima de vários sacerdotes da ordem. A mulher também tinha a tarefa de selecionar as crianças mais "submissas" e entregá-las como presa aos sacerdotes. Agora, ela foi presa, após ficar foragida por mais de um mês, informou o jornal espanhol El País.

O Instituto Provolo de Mendoza fez manchetes na Argentina em dezembro do ano passado, quando a justiça prendeu os sacerdotes Nicolás Corradi, 82, e Horacio Corbacho, 56, acusado de "abuso sexual agravado com as relações sexuais e sexo oral" a pelo menos vinte crianças deficientes auditivos de 10 a 12 anos. Os estudantes foram forçados a fazer sexo oral na presença de sacerdotes e alguns foram estuprados e espancados, de acordo com seus próprios relatos.

O chefe do inferno era Corradi, que chegou à Argentina nos anos 60, vindo do Instituto Antonio Provolo de Verona. De lá, a Igreja o enviou para protegê-lo de dezenas de alegações de estupro. Não lhe tiraram os hábitos, mas empurraram-no o mais longe possível do escândalo, ao sul da Argentina. Abusos e espancamentos de Corradi continuaram no país sul-americano, primeiro em La Plata e, em seguida, em Mendoza, 1.000 km a oeste de Buenos Aires. Nos últimos anos, Corradi encontou em Kumiko uma grande cúmplice, uma mulher com carisma entre crianças e imune à culpa.

A freira faz parte da congregação Nuestra Señora del Huerto e desde sua chegada ao Provolo, foi responsável pelo cuidado de 43 crianças que dormiam no instituto em 2007. Desde essa posição ocupou, de acordo com testemunhas, um papel determinante nos casos de abuso. As vítimas são agora adolescentes que, pouco a pouco, foram encorajados a falar. No processo incluem a queixa da menina que contou como a freira escondeu os sangramentos causados pelos estupros com fraldas, e de outra menor que relata ter sido enviada por Kumiko ao quarto de Corbacho para ser abusada, e relatos de testemunhas que dizem que "a religiosa participou acariciando meninas, pedindo que se tocassem entre si, e assistiu pornografia junto a Jorge Bordón (outro preso) na TV ", disse o advogado Sergio Salinas, da ONG Xumek, encarregado da queixa.

Mas sua principal função era eleger as crianças mais vulneráveis. "Ela as surrava sistematicamente e as mais submissas eram entregues aos estupradores", disse o advogado ao canal de notícias TN Salinas. Quando a evidência ficou clara, Kumiko fugiu e se escondeu em Buenos Aires, onde ela finalmente se rendeu. "Eu sou inocente, não sabia dos abusos", disse ao juiz.

Os abusos no Instituto foram à tona em 2008, mas o caso foi arquivado pela Justiça. A sucessão de testemunhas finalmente reabriu o caso. Fabricio Sidoti, promotor encarregado da investigação, disse que "as crianças dizem que eram levadas para a casa de Deus, um lugar no instituto onde ficavam presas. As vítimas podiam ver através das fissuras na porta tudo o que acontecia". O escândalo finalmente eclodiu em dezembro. O instituto sofreu intervenção e a Igreja foi forçada a assumir que algo acontecia no lugar, depois de anos de silêncio.

Na época, a voz oficial foi liderada pelo Arcebispo de Mendoza, Carlos María Franzini. "Quero esclarecer olhando-os nos olhos, com as mãos limpas e a consciência tranquila, que nunca fomos notificados sobre os antecedentes criminais de qualquer um dos padres acusados. Também nunca recebemos denúncias ou comentários sobre irregularidades que aconteciam no Instituto", disse. A história da violação de Corradi, conhecida pela Igreja italiana, aparentemente nunca chegou à Argentina.



Foto: Reprodução
Kumiko Kosaka foi presa acusada de participar de um esquema de estupro de crianças surdas por padres pedófilos
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