Outras Edições

Em destaque Comunidade

Crianças ainda sofrem com adaptação

Três representantes do Projeto Kaeru estão realizando uma série de palestras no Japão até o próximo domingo

Crédito: Osny Arashiro/Alternativa - 17/10/2013 - Quinta, 07:58h

 

Hamamatsu - Desde o último dia 3, representantes do Projeto Kaeru estão no Japão para a série de palestras “Crianças Retornadas do Japão e o Projeto Kaeru”. A parte final da palestra é aberta para um debate com o público geral. Os representantes do Projeto Kaeru são Kyoko Nakagawa, psicóloga e coordenadora; Glaucia Sawaguchi, psicóloga e Carlos Fukunaga, psicólogo e tradutor.


Os três profissionais estiveram no Shimin Kyodo Center, em Hamamatsu (Shizuoka), na última terça-feira, quando apresentaram um perfil da atual situação das crianças e adolescentes que viveram no Japão e retornaram ao Brasil. Glaucia Sawaguchi iniciou explicando que o principal objetivo do Projeto Kaeru é superar dificuldades para a inclusão escolar e social das crianças retornadas. Lembrou, porém, que "as crianças que retornam estão indo para um país que não conhecem, pois a maioria nasceu no Japão, então os retornados são os pais, enquanto as crianças são imigrantes".


Um vez por semana os psicólogos do Projeto Kaeru visitam escolas em São Paulo. Há também atendimento a domicílio em casos especiais, quando a criança não quer ir para a escola por dificuldades de relacionamento. São mais de 70 atendimentos semanais em 23 escolas.


Kyoko Nakagawa lembra que a primeira grande dificuldade é o idioma, porque falam um português insuficiente para acompanhar as aulas. "Por essa razão é importante estruturar-se em um idioma, pois o pensamento abstrato só é possível ao desenvolver uma proficiência em uma língua", afirma. "Entretanto, um idioma não se aprende de um dia para o outro, então é preciso um preparo com antecedência, aprender um mínimo de português antes de retornar ao Brasil", aconselha.


A psicóloga Kyoko também levanta uma questão: "O que é uma língua materna? Será aquela com a qual a criança teve o primeiro contato? Então será o português? Ou será aquela com a qual a criança se expressa melhor? Então não pode ser o português. Será aquela melhor estruturada? Então será o japonês? Ou será o idioma com o qual conversa com a mãe? Então precisamos repensar o que seja a língua materna".


A palestrante conta que há casos de crianças que falam um pouco de português e frequentaram escola japonesa. Então escrevem palavras em português na grafia hiragana porque não foram alfabetizadas em português.


“Um jovem adolescente dizia pipa tsuri (empinar pipa) então os colegas brasileiros não entendiam e assim começa a exclusão social do grupo no qual vive", completa Glaucia Sawaguchi.


No decorrer do seminário, outros temas foram abordados, como por exemplo as crianças retornadas com necessidades especiais, cujo aprendizado é através de brincadeiras lúdicas e a inclusão cultural com visitas a teatros e museus.


Ao final do seminário, houve um debate aberto ao público presente, quando pais de alunos e educadores puderam esclarecer dúvidas.


A série de palestras “Crianças Retornadas do Japão e o Projeto Kaeru” já foi realizada em Kobe (Hyogo), Konan (Shiga), Ogaki (Gifu), Toyota (Aichi), Yokkaichi (Mie), Chiryu (Aichi), Nishio (Aichi) e Hamamatsu (Shizuoka).


Veja a programação:


17/out., quinta-feira - Isesaki, Gumma (Isesaki Shimin Plaza)
18/out., sexta-feira - Tsuchiura, Ibaraki (Niiharitiku Kouminkan)
20/out., domingo - Chuo, Yamanashi (Chuo Shiritsu Tamaho Sogo Kaikan)
Mais informações:
http://kaeru-kyoko2po.jimdo.com/


foto
Glaucia Sawaguchi e Kyoko Nakagawa na palestra em Hamamatsu
Osny Arashiro/Alternativa

 

Compartilhe
Comentários

542 vagas disponíveis em todo o Japão

1 ano
26 edições
¥5.000 ienes
ASSINE A
REVISTA
RECEBA SEM SAIR DE CASA
PARTICIPE DE TODAS AS NOSSAS PROMOÇÕES
qr code alternativa
Telefone
050-6860-3660
Fax
03-6383-4019
Nippaku Yuai Co., Ltd.
〒151-0072
Tokyo-to Shibuya-ku Hatagaya 1-8-3
Vort Hatagaya 8F