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Japão: saiba se você está com o nome sujo e como evitar a “lista negra”

Problemas comuns como atrasos no pagamento da conta do celular podem negativar o usuário

Crédito: Ana Paula Ramos/Alternativa - 27/11/2016 - Domingo, 12:03h

 

Os trâmites para negativar alguém no Japão não são muito diferentes dos procedimentos no Brasil. Em terras nipônicas, há três principais instituições de crédito que guardam os dados dos indivíduos que possuem cartão de crédito, pediram algum empréstimo bancário ou fizeram um financiamento.


Quando as contas acumulam sem pagamento, as informações negativas são registradas nestas instituições. Ao pé da letra, este processo é chamado de informações acidentais (Jiko Jouhou / 事故情報) que são inseridas entre as informações de confiança (Shinyou Jouhou/信用情報) do usuário.


A lista negra é como um poço profundo, em que você poderá cair por algum acidente ou escorregão, mas não sairá de lá tão fácil. Diferente do Brasil, onde é possível limpar o nome em poucos dias após o acerto da dívida, as empresas de informações de crédito no Japão não facilitam tanto a vida do endividado.


Na maioria dos casos, você pode procurar um advogado, negociar a dívida e acertá-la em poucos meses ou anos. Porém, mesmo após a quitação completa dos valores, as informações negativas continuam registradas por pelo menos cinco anos. Ou seja, se você quitar o pagamento em três anos, ainda ficará com o nome sujo por mais dois anos.


Apenas no caso de empréstimos financeiros há a possibilidade de limpar o nome mais cedo. Se você acertar o que deve poderá ter as informações negativas retiradas do seu registro após um ano da finalização do pagamento. Porém, se a dívida for de cartão de crédito, esqueça: o seu nome continuará sujo nos próximos cinco anos ou mais, dependendo do caso.


Não há um sistema unificado para que o usuário possa verificar as próprias informações de crédito. Há três instituições que devem ser consultadas por quem deseja saber se está ou não com o nome sujo. O JBA (Associação Bancária do Japão), o CIC (Centro de Informação de Crédito) e o JICC (Centro de Referência de Informações de Crédito do Japão) guardam os dados detalhados de quem deve na praça.


Cada órgão permite que o próprio usuário consulte suas informações, mas o processo não é fácil. É preciso fazer um cadastro, provar que você vai acessar as próprias informações e ainda pagar uma taxa na faixa de ¥1 mil. Os procedimentos variam de acordo com a instituição e na maioria dos casos é possível seguir todos os passos de forma online.


Porém, é possível ter uma ideia da própria situação sem precisar verificar nenhum cadastro. Se você estiver com o nome sujo, ficará impossibilitado de pedir empréstimos, emitir um novo cartão de crédito ou fazer qualquer tipo de financiamento. Se qualquer procedimento bancário for negado desconfie, principalmente se você souber que deixou de pagar alguma conta.

 
Atenção aos celulares
Se você quase não usa o cartão de crédito e não fez nenhum empréstimo ou financiamento, é comum que pense que há poucas chances de acabar na lista negra. No entanto, pequenos descuidos podem não ser perdoados e ter o nome sujo no Japão é mais fácil do que muitas pessoas imaginam.


Em 2010, o número de usuários de celulares que acabaram negativados subiu de 210 mil pessoas para 1,4 milhão. O motivo? Atraso no pagamento das parcelas do aparelho. A possibilidade de pagar o celular à prestação atraiu milhares de pessoas para este modelo de compra, mas também facilitou o endividamento.


Para quem não quer ou não pode pagar à vista, as operadoras fecham o contrato do aparelho e entregam o celular nas mãos do cliente a preços baixos. Entretanto, o valor do smartphone é cobrado mensalmente, junto com os custos referentes ao plano escolhido. Ao atrasar o pagamento por três meses, o cliente é negativado e nenhum órgão informa sobre isto.


Informações:

- Associação Bancária do Japão (JBA)

- Centro de Informação de Crédito

- Centro de Referência de Informações de Crédito do Japão (JICC)


Foto: iStockphoto

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