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“Depressão não é frescura”, diz psicóloga em palestra em Aichi

A especialista listou vários sintomas de quem sofre desta doença

Crédito: Antônio Carlos Bordin/Alternativa - 15/07/2019 - Segunda, 12:12h

Toyohashi - “Depressão não é modinha nem frescura”, alertou a psicóloga Maria do Carmo Santos Motta, em palestra realizada em Toyohashi (Aichi) no domingo (14).

A convite do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil Tsunago, a especialista listou vários sintomas de quem sofre desta doença que, em casos mais graves, pode levar ao suicídio.

Maria lembrou que há tratamento. “Mas você vai precisar de um psiquiatra que irá receitar remédios. Dependendo do nível de depressão, você não conseguirá sair sozinho dela. Caso esteja entrando num depressão, pode precisar apenas de um psicólogo. Não tem outro caminho”, alerta.

Alguns sintomas de depressão, segundo ela, são aquela tristeza que não passa e a queda de energia de vida, que afeta o corpo inteiro e não apenas o cérebro.

Há fatores de risco em nível bioquímico, como quando existem diferenças em certas substâncias químicas no cérebro. Pessoas com baixa autoestima, estressadas, ansiosas são propensas a este mal. Mas fatores externos também colaboram para o quadro depressivo, como exposição à violência e abusos de toda ordem.

Quem consome álcool em excesso ou é viciado em drogas, sofre de dores crônicas, de doenças cerebrais, de distúrbios do sono ou tem algum familiar com doença mental, também pode estar propenso à depressão.

Maria, que também é psicopedagoga, pedagoga e doutora em ciências da educação, disse que há um longo caminho até uma pessoa ser afetada pela depressão. Ela usou o caso dos brasileiros que vivem no Japão, muitos dos quais, segundo ela observou, chegam sem estar preparados para enfrentar um país com cultura totalmente diversa e um ritmo de vida diferente.

Ela dividiu o tema em quatro eixos: o indivíduo, se está bem consigo mesmo ou como elaborou a mudança de um país para o outro, entre outras situações; a família, como seus membros se relacionam; e os filhos, que podem apresentar uma série de dificuldades de aprendizagem, por exemplo, e como a família lida com suas necessidades. Caso um destes itens esteja mal resolvido, pode abrir portas para a chegada da depressão.

Mesmo com a ajuda de profissionais como psiquiatras e psicólogos, há outros modos de melhorar a condição da pessoa que tem depressão. Um exemplo é a atividade física, que libera neutransmissores como a serotonina, responsável por regular o humor, o sono, o apetite, o ritmo cardíaco, além da temperatura corporal e funções cognitivas. Se esta substância estiver em nível baixo, a pessoa terá dificuldade para dormir, ansiedade, mau humor, abrindo caminho para a chegada da depressão.

A alimentação equilibrada também é outro caminho, favorecendo o bom funcionamento do intestino, que ajuda na melhora do quadro depressivo. Além disso, Maria sugere participar de eventos sociais. Mas não precisa ir a um show. Pode ser uma caminhada por um lugar diferente, o que faz com que o cérebro trabalhe mais. Ou simplesmente fazer algo diferente.

“Eu irei embora feliz do Japão se a vida de vocês mudar pelo menos 1%, porque amanhã vocês vão querer mudar mais um pouco e mais um pouco. Ninguém muda tudo de uma vez. Dos 4 eixos que falei, um pelo menos marcou vocês”, lembrou.

Maria disse ainda que ninguém está só, seja em qual momento for. “Temos Deus, que preenche o nosso vazio. Se você tem Deus no coração, não pensará em tirar a vida, enfrentará as dificuldades com coragem”, finalizou.

Uma das perguntas feitas pelo público foi como ajudar alguém com depressão, sem parecer estar invadindo a vida dela. A psicóloga disse que isso depende da liberdade que uma pessoa tem com a outra. “Dependendo disso, você pode ser direto ou falar em doses homeopáticas para ela buscar tratamento”.

Foi com esse objetivo que Mauro Kaoru Nobo, de Hekinan (Aichi), participou da palestra. “Tenho amigos que estão apresentando alguns sintomas de depressão. E vim aqui para me informar e me preparar para ajudá-los de alguma forma. Não quero me intrometer na vida deles, mas quero ajudar”, diz.

Segundo ele, muitos têm sofrido graças a um chefe de fábrica que tem sido abusivo. E esses amigos não conseguem se defender, baixam a cabeça e se isolam. “Eles chegam a se sentir incapazes, se sentem inúteis. E quero ajudar de alguma forma”, frisou.

Guida Suzuki, da Associação Brasileira de Toyohashi (ABT), participou também da palestra e lembrou que duas amigas que estavam deprimidas se suicidaram. Por isso, na organização sem fins lucrativos foi criado um serviço chamado Orientação Psicológica, com uma psicóloga que atende na sede da ABT, cobrando um valor simbólico de ¥1.000.

“No primeiro mês de atendimento tivemos 110 consultas. Pode ser casal, criança. Esse serviço está tendo muita procura”, disse. Interessados podem entrar em contato pelo telefone 0532-39-3437.

Foto: Antônio Carlos Bordin/Alternativa
Psicóloga Maria do Carmo Santos Motta durante palestra em Toyohashi
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