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Brasileira relata xenofobia em Aichi: “Um homem me chamou de gaijin e disse palavras horríveis”

“Ninguém fez absolutamente nada para impedir o agressor”, lamenta

Crédito: Antônio Carlos Bordin/Alternativa - 04/07/2019 - Quinta, 11:58h

Nagoia – A brasileira Katia Kawano, de Nagoia (Aichi), sofreu um ataque xenofóbico (ódio a estrangeiros) nesta semana e levou o caso para a delegacia. Porém, embora a polícia tenha registrado sua queixa e não tenha feito muito para conter o agressor, ela se disse mais chateada pelo fato de nenhuma pessoa que testemunhou a agressão ter feito nada para impedir.

O caso ocorreu na terça-feira (2), por volta do meio-dia, quando Katia foi comprar alguns itens de limpeza em uma loja de ¥100 perto de sua casa, na região de Mizuho. Como um dos produtos estava sem código de barra, a moça do caixa falou que iria checar o valor e se ausentou por um pouco (nem todos os itens da loja custam ¥100).

“Nisso, pedi desculpas para os demais da fila. A moça do caixa voltou, paguei e, quando estava indo embora, um homem que estava na fila começou a me xingar”, relata.

Katia conta que estava tentando sair da loja quando o homem, na faixa dos 40 anos de idade, a abordou, falando alto. “Ele me chamou de gaijin, disse várias palavras horríveis e não quis me deixar ir embora”, conta. “Eu disse que ele não precisava ficar assim só por causa da espera na fila. Mesmo assim ele me intimidou. O mais estranho é que todos estavam vendo e ninguém fez absolutamente nada para impedir o agressor”, reclama.

Em seguida, o homem se aproximou ainda mais de Katia, fazendo gesto de que iria socá-la. “Naquela hora fiquei muito nervosa, mas não sei como consegui me conter. Falei que não iria brigar. E chamei a polícia, reclamando que havia um homem que não estava me deixando ir embora da loja”, diz.

A polícia chegou, levou ambos para a delegacia. Katia relatou tudo o que aconteceu, as palavras preconceituosas dirigidas a ela, por ser estrangeira. “Ainda assim o cara, em outra sala, dizia que iria me socar mesmo, independente de ser mulher. A polícia tentou contê-lo, mas não fez nada além disso. Disseram que não era crime, já que não fui agredida fisicamente”, lamenta.

Segundo Katia, o homem chegou a dizer para ela se ajoelhar perante ele e pedir desculpas, o que ela, claro, refutou prontamente. “Eu só disse que a vida dele deveria ser um droga, por querer se sentir superior aos outros. Quanto à polícia, disse apenas que iria me levar para casa em segurança. Eu disse que isso era o mínimo que podiam fazer”, lembra.

“Decidi relatar essa história para a revista porque acho que esse homem tem feito isso várias vezes, sabendo que não vai dar nada. Mas não podemos nos calar”, disse ela, que agora busca consultar uma advogada sobre seus direitos.

“Em 22 anos de Japão nunca passei por isso. Já morei na Inglaterra e já viajei para outros países e nunca sofri esse tipo de discriminação. Mas o que mais me deixou chateada foi ver as pessoas testemunhando o fato e ninguém tomando nenhuma providência”, lamenta.

Para Katia, não é de se espantar que uma pessoa passe mal na rua e ninguém pare para socorrê-la. Ela diz isso porque certa vez estava indo até a prefeitura da região onde mora e no corredor que seguia para chegar aos elevadores viu um rapaz caído, sofrendo uma convulsão.

“Na hora procurei segurar a cabeça dele, colocando-a sobre minhas pernas. Mas eu gritava pedindo para alguém chamar a ambulância. O mais triste é que passaram quatro pessoas por nós e ninguém parou para ajudar. No fim eu tive que largar o rapaz se debatendo por um pouco para poder eu mesma ligar para a ambulância, para depois segurá-lo, até que a ambulância chegasse”, finaliza.

Foto: iStockphoto
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