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Japão é alvo de campanha de combate à prostituição infantil durante as Olimpíadas

A iniciativa conta com mensagens transmitidas por atletas de ponta, como o jamaicano Usain Bolt

Crédito: Redação - 18/06/2019 - Terça, 12:07h
Tóquio - Como anfitrião da próxima Olimpíada, o Japão se tornou o foco de uma campanha global para combater a prostituição infantil ligada ao esporte, com ativistas trabalhando para esclarecer os "crimes ocultos" que dizem ter uma relação simbiótica com os megaeventos.

Eventos esportivos de grande porte atraem um grande fluxo de turistas que se aglomeram nas cidades-sede, e alega-se que organizações criminosas os seguem, procurando ganhar dinheiro com a exploração de crianças vulneráveis, que são empurradas para o comércio sexual ou traficadas para algum tipo de trabalho forçado.

Apesar de sua reputação de segurança e alto padrão de vida, o Japão está longe de ser imune, diz o grupo ativista britânico It's A Penalty.

"Ele existe aqui. Apenas não se fala sobre isso", disse Sarah de Carvalho, fundadora e CEO da IAP, durante recente visita a Tóquio.

"Se você educar as pessoas que estão participando do evento sobre os sinais a serem observados, incluindo a exploração sexual e de trabalho forçado, verá que isso está acontecendo em todos os lugares. Mas, a menos que falemos a respeito, achamos que isso não está acontecendo", comentou. 

Usain Bolt, o superastro da Jamaica, é uma das muitas figuras esportivas presentes em um vídeo da campanha "It's a penalty" (“É uma penalidade”, em tradução livre), produzido pelo grupo. Nele, as pessoas são encorajadas a denunciar crimes se virem algo suspeito.

"O esporte tem o poder de mudar o mundo. Tóquio 2020 será uma ocasião feliz, mas esteja ciente que milhões de crianças são traficadas e exploradas em todo o mundo, que os infratores podem ser processados dentro do país ou quando voltarem para casa. Sua ligação pode salvar vidas", é o que os atletas dirão no vídeo.

A IAP é uma organização que lança campanhas durante grandes eventos esportivos, usando-as como plataformas para educar o público em geral sobre os riscos enfrentados pelas crianças enquanto prepara as pessoas para identificar crimes e relatar qualquer coisa suspeita.

Ao fazê-lo, visa alargar a rede de segurança fornecida pelas comunidades locais, que o IAP considera a primeira linha de defesa.

"A razão pela qual o rodamos durante grandes eventos esportivos é ... em primeiro lugar, sabemos quando há um influxo de centenas de milhares de pessoas com muitas demandas. Mas, segundo, porque é um problema global, ele fornece uma plataforma para divulgar a mensagem em todo o mundo", disse de Carvalho.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, há 24,9 milhões de pessoas que são vítimas de trabalho forçado, quase um quarto das quais são crianças.

De Carvalho disse durante sua visita ao Japão no mês passado, ao se reunir com os organizadores de 2020, que os crimes contra as crianças são um grande problema para o país, e que medidas devem ser tomadas.

Até agora o IAP facilitou o resgate de mais de 16.800 vítimas, em parceria com a polícia local, companhias aéreas, entidades esportivas e organizações não-governamentais durante eventos esportivos, incluindo a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 e as Olimpíadas de Inverno de Pyeongchang.

O IAP também trabalha com o Comitê Olímpico Internacional, que prometeu seu apoio.

Na campanha em torno do Super Bowl de fevereiro, o dia mais importante do ano no futebol americano, a IAP, com a ajuda de cerca de 200 voluntários, distribuiu panfletos e pulseiras com um número de telefone para cerca de 300 hotéis e motéis em Atlanta, esforço que levou a cerca de 170 prisões pela força tarefa do Federal Bureau of Investigation, segundo informam. 

Estatísticas do governo revelam que um total de 46 sobreviventes de tráfico de seres humanos foram levados sob custódia protetora no Japão em 2017, tanto japoneses quanto estrangeiros.

Das vítimas resgatadas, 28 eram japoneses, um recorde na época, seguidos por oito tailandeses e sete filipinos. Houve uma vítima cada do Vietnã, Brasil e Mongólia.

Mas esses números podem não dar uma ideia real da extensão do problema.

Em resposta, o IAP e seus parceiros locais reuniram uma lista de grandes nomes japoneses que estavam dispostos a serem os rostos da campanha de 2020 para promover a proteção infantil no cenário global.

Em 2016, um vídeo de campanha com Bolt e outros atletas de alto nível foi exibido em companhias aéreas internacionais, hotéis e telas gigantes nos locais olímpicos do Rio.

Mie Kajikawa, chefe do parceiro estratégico do IAP em Tóquio, Sport For Smile, disse que gostaria de ver as Olimpíadas de Tóquio provarem que o esporte tem o poder de mudar o mundo.

"Esperamos usar o esporte como um instrumento eficaz para combater problemas sociais difíceis", disse Kajikawa.

De Carvalho diz: “Quando lançamos luz sobre o lado obscuro dos eventos esportivos, isso permite que as pessoas fiquem cara a cara com os problemas sociais, em vez de fecharem os olhos para situações que ignoramos ou que estamos propensos a ignorar”.

No Japão, de Carvalho reuniu-se com altos funcionários dos aeroportos de Narita e Haneda, bem como com estudantes universitários e jovens líderes que manifestaram o desejo de iniciar ações para ajudar a acabar com o tráfico e a exploração de pessoas.

"O Japão é um destino e país de origem e trânsito para homens e mulheres submetidos a trabalho forçado e tráfico sexual e para crianças sujeitas ao tráfico sexual”, informou de Carvalho. 

“Existem 24,9 milhões de pessoas presas em uma escravidão moderna e 5.5 milhões são traficadas todos os anos (no mundo)”, completou. 

“O problema está aumentando por causa da internet. Então as pessoas vindas do exterior para um evento, fãs de esporte, serão alvos”, finalizou. 


Foto: ©2015 iStockphoto


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