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2 navios com cargas relacionadas ao Japão são atacados no Estreito de Hormuz

Os ataques foram realizados enquanto o primeiro-ministro Shinzo Abe visitava o Irã

Crédito: Redação - 14/06/2019 - Sexta, 09:49h
Tóquio – Dois navios-tanques com cargas “relacionadas ao Japão” foram atacados perto do Estreito de Hormuz, segundo informou o ministro do Comércio, Hiroshige Seko nesta quinta-feira (13). Os membros da tripulação estão em segurança, mas o governo disse que montou uma força-tarefa para lidar com a situação e pediu para que empresas do setor estejam em alerta. A informação é do Japan Today e da Reuters. 

Não ficou claro o que aconteceu com o Front Altair, de propriedade norueguesa, ou com o japonês Kokuka Courageous, que sofreram explosões, obrigando as tripulações a abandonar os navios e deixá-los à deriva nas águas entre os estados árabes do Golfo e o Irã.

Uma fonte disse que a explosão no Front Altair, que pegou fogo e soltou uma enorme nuvem de fumaça, pode ter sido causada por uma mina magnética.

A empresa que fretou o petroleiro Kokuka Courageous disse que foi atingida por um torpedo, o que foi negado por uma pessoa com conhecimento do assunto.

Um dispositivo que não explodiu, que se acredita ser uma mina, foi visto ao lado do petroleiro japonês, disse um funcionário dos EUA à Reuters, sob condição de anonimato. Se confirmado, os próximos passos podem ser desativar ou detonar o dispositivo.

Os preços do petróleo subiram mais de 4 por cento após os ataques perto da entrada do Estreito de Hormuz, uma artéria marítima crucial para a Arábia Saudita e outros produtores de energia do Golfo. Os preços mais tarde se estabilizaram em cerca de 2%.

Os Estados Unidos, que acusaram o Irã ou seus representantes de realizar um ataque em 12 de maio contra quatro petroleiros na costa dos Emirados Árabes Unidos, bem como ataques aéreos em duas estações de bombeamento de petróleo sauditas, culparam o Irã pelos ataques.

"É a avaliação do governo dos Estados Unidos que a República Islâmica do Irã é responsável pelos ataques que ocorreram no Golfo de Omã ", disse aos jornalistas o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.

Pompeo não forneceu evidências explícitas para respaldar a afirmação dos EUA.

“Esta avaliação é baseada em inteligência, as armas usadas, o nível de perícia necessária para executar a operação, recentes ataques iranianos semelhantes ao transporte marítimo e o fato de que nenhum grupo operando na área tem recursos e proficiência para agir com alto grau de sofisticação", disse Pompeo.

No entanto, autoridades de segurança dos EUA e da Europa, bem como analistas regionais, alertaram contra conclusões precipitadas, deixando em aberto a autoria dos ataques.

"Meu único conselho seria tratar as coisas com cautela", disse um funcionário da segurança sob condição de anonimato.

As tensões entre o Irã e os Estados Unidos, juntamente com seus aliados, incluindo a Arábia Saudita, aumentaram desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonou um acordo no ano passado entre o Irã e as potências globais que pretendiam conter as ambições nucleares de Teerã através de sanções.

O Irã tem repetidamente alertado que bloquearia o Estreito de Hormuz se não puder vender seu petróleo por causa das sanções dos EUA.

As tensões aumentaram ainda mais desde que a Trump agiu no início de maio para forçar os compradores de petróleo do Irã a reduzir suas importações a zero ou enfrentar sanções financeiras draconianas dos EUA. As exportações de petróleo do Irã caíram para cerca de 400.000 barris por dia em maio em relação aos anteriores 2,5 milhões de barris/dia em abril do ano passado.

Em maio, o governo Trump também disse que enviaria mais tropas para o Oriente Médio, citando o que considerava uma ameaça de ataque potencial do Irã.

O chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, descreveu no Twitter as explosões de petroleiros como "suspeitas" e pediu um diálogo regional. Teerã negou a responsabilidade pelos ataques.

As tripulações de ambos os navios atingidos na quinta-feira foram retiradas em segurança. A Quinta Frota da Marinha dos EUA, com sede no Bahrein, disse que socorreu os dois navios-tanque depois de receber chamadas de socorro.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a cooperação entre as Nações Unidas e a Liga dos Estados Árabes que o mundo não pode permitir "um grande confronto na região do Golfo".

O Conselho discutiu os ataques a portas fechadas na quinta-feira a pedido dos Estados Unidos.

O Embaixador da Kuwait, Mansour Al-Otaibi, presidente do conselho para junho, disse após a reunião que todos os 15 membros do conselho haviam condenado os ataques.

Quando perguntado se os Estados Unidos tinham mostrado alguma evidência para apoiar sua acusação de que o Irã era responsável, Al-Otaibi disse aos repórteres: "Nós não discutimos nenhuma evidência".

O Comando Central dos EUA disse na quinta-feira à noite: “Não temos interesse em entrar em um novo conflito no Oriente Médio. Nós defenderemos nossos interesses, mas uma guerra com o Irã não é do nosso interesse estratégico, nem no melhor interesse da comunidade internacional.”

Pompeo disse que os EUA continuam fazendo esforços econômicos e diplomáticos para levar o Irã de volta às negociações sobre um acordo mais amplo.

Ao abandonar o acordo nuclear de 2015 com o Irã, Trump deixou claro que queria que o Irã não só restringisse seu projeto nuclear, mas também parasse de desenvolver mísseis e retirasse seu apoio no Iraque, na Síria, no Líbano e no Iêmen.

Alguns analistas regionais disseram acreditar que os ataques provavelmente foram realizados pelo Irã e os descreveram como uma maneira de Teerã tentar retomar as negociação e talvez aumentar a pressão global para as conversações entre os EUA e o Irã.

"Há sempre a possibilidade de que alguém esteja tentando culpar os iranianos", disse Jon Alterman, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, referindo-se à chamada operação de "bandeira falsa" para implicar outra nação.

"Mas há uma grande probabilidade de que isso represente um esforço para reforçar a diplomacia iraniana, criando uma percepção de urgência internacional para que os Estados Unidos e o Irã dialoguem", disse Alterman.

Ao culpar publicamente o Irã, o governo pode esperar que Teerã interrompa tais ataques, disse o veterano da política externa dos EUA, Dennis Ross, no Instituto Washington para Política do Oriente Próximo.

"Atribuindo responsabilidade e divulgando tudo isso, [eles assim esperam] que os iranianos percebam que precisam dar um passo para trás", disse Ross, acrescentando: "Não tenho certeza de que esse será o resultado".

"Os iranianos, em resposta à nossa pressão máxima, estão praticando sua própria versão de pressão máxima", disse ele.

O primeiro-ministro Shinzo Abe estava visitando Teerã quando os ataques de quinta-feira ocorreram, levando uma mensagem de Trump para o Irã. Abe, cujo país era um grande importador de petróleo iraniano, instou todos os lados a não deixar que as tensões aumentassem.

O Irã disse que não responderia à proposta de Trump, cujo conteúdo não foi tornado pública.


Foto: Reuters

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