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Bolsonaro usa porta-voz para responder a ataques de Olavo de Carvalho

Escritor chegou a atacar o vice-presidente Hamilton Mourão e foi defendido por Carlos Bolsonaro

Crédito: Reuters - 23/04/2019 - Terça, 13:57h
Brasília - O presidente Jair Bolsonaro usou seu porta-voz, Otávio do Rêgo Barros, para responder, pela primeira vez, o escritor Olavo de Carvalho, que tem feito constantes críticas a membros de seu governo, e disse que Carvalho não contribui para a "unicidade de esforços" e para o projeto do governo.

No final de semana, o escritor gravou mais um vídeo em que critica o entorno de Bolsonaro, afirmando que o presidente está em meio a uma rede de intrigas, e criticou os militares.

O vídeo foi distribuído na conta de Twitter do presidente --que costuma ser gerenciada por seu filho Carlos--, em seguida apagada e recolocada no Twitter do próprio Carlos.

"O professor Olavo de Carvalho teve um papel considerável na exposição das ideias conservadoras que se contrapuseram à mensagem anacrônica cultuada pela esquerda e que tanto mal fez ao país. Entretanto, suas recentes declarações contra integrantes dos Poderes da república não contribuem para a unicidade de esforços e consequente atingimento de objetivos propostos em nosso projeto de governo", leu o porta-voz, atribuindo o texto a uma nota de Bolsonaro.

"Igualmente, o presidente tem convicção de que o professor, com seu espírito patriótico, está tentando contribuir com a mudança e com o futuro do Brasil."

MOURÃO X CARVALHO

Hamilton Mourão

Antes disso, Carvalho atacou o vice-presidente e foi defendido por Carlos Bolsonaro, que o chamou de "gigantesca referência do que vem acontecendo há tempos no Brasil".

"Qual foi a última contribuição das escolas militares para a alta cultura nacional? As obras do Euclides da Cunha. Depois de então foi só cabelo pintado e voz empostada. Esse pessoal subiu ao poder em 1964, destruiu os políticos de direita e sobrou o quê? Os comunistas", afirmou.

"Mostra o total desconhecimento dele do ensino militar e é até bom a gente convidá-lo para ir nas nossas escolas para conhecer", disse Mourão, que é general da reserva do Exército, quando questionado sobre o vídeo. "E acho que ele deve se limitar à posição que ele desempenha bem, que é de astrólogo que prevê as coisas, ele é bom nisso."

Mourão disse ainda que Carvalho, tratado como guru ideológico de parte do governo --especialmente dos filhos do presidente-- "perdeu o timing" e não está entendendo o que está acontecendo no Brasil.

"Até porque ele mora nos Estados Unidos e não está apoiando o governo, não está sendo bom para o governo", afirmou o vice-presidente.

Ao ser chamado de "astrólogo", Olavo de Carvalho respondeu ao vice e o chamou de "adolescente desqualificado para qualquer debate sério".

"O Mourão deveria se limitar à única função que desempenha bem, de modelo. Se o presidente tem a humildade suficiente para reconhecer a dívida que tem para comigo, seus inferiores não deveriam se expor ao ridículo de fingir que não me devem nada", escreveu em suas contas nas redes sociais, acrescentando ainda que o vice-presidente "não tem capacidade" para julgar sua "obra".

Em seguida, Carlos Bolsonaro também foi às redes sociais defender o escritor. O filho do presidente, que controla as contas do pai no Twitter e Facebook, afirmou que Olavo de Carvalho "é uma gigantesca referência do que vem acontecendo há tempos no Brasil".

"Desprezar isso só tem três motivos: total desconhecimento, se lixando para os reais problemas do Brasil ou acha que o mundo gira em torno de seu umbigo por motivos que prefiro que reflitam", escreveu o filho do presidente.

Essa não é a primeira vez que Olavo de Carvalho ataca os militares mais próximos do Planalto. Em março deste ano, o autointitulado filósofo chamou o vice-presidente de “idiota” e disse que Bolsonaro está cercado de traidores.

No início deste mês, atacou o ministro da Secretaria de Governo, general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, em uma série de tuítes, e chegou a dizer que o ministro “não presta”.

Até então, Bolsonaro havia evitado criticar o escritor.

Foto: Reuters 
O presidente Jair Bolsonaro 



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