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Tema de palestras, terceira idade preocupa brasileiros no Japão

Evento em Hamamatsu tirou dúvidas sobre previdência e ajuda a idosos

Crédito: Ana Paula Ramos/Alternativa - 14/04/2019 - Domingo, 15:00h

Hamamatsu - A terceira idade é um assunto cada vez mais próximo da realidade dos brasileiros no Japão, considerando que muitos chegaram há 20 ou 30 anos no país, no início do movimento decasségui e fincaram raízes com o tempo.

Para orientar a comunidade, a Fundação Internacional de Hamamatsu (HICE) e o Fuxico Brasil, com o apoio do Consulado-geral do Brasil em Hamamatsu, realizaram uma série de palestras neste domingo (14), no edifício Create, que reuniu cerca de 50 participantes.

A primeira palestrante foi a consultora da área trabalhista e de previdência social, Vanessa Handa, que explicou sobre os benefícios e subsídios que os idosos têm direito no Japão. Handa destacou o subsídio aos aposentados de baixa renda (Nenkin Seikatsu-sha Shien Kyuufukin) e o subsídio para a compra de aparelho auditivo, que custa em média ¥150 mil.

Outro destaque foi o sistema de seguro público (kaigo hoken seido), que garante cuidados domiciliares aos idosos com limitações de saúde e que é pago pelos trabalhadores a partir de 40 anos de idade.

Entre os serviços e benefícios, o Japão conta com diversas opções de casas de repouso, centros recreativos e os chamados "day service", instituições que atendem aos idosos por um dia, providenciando os cuidados de saúde necessários durante algumas horas.

"É importante frisar que nada é gratuito no Japão. As casas de repouso pública são mais baratas, mas possuem um custo e uma fila de espera enorme. Para quem realmente não tem condições financeiras, a prefeitura analisa o caso e pode conceder um auxílio financeiro extra, que é o seikatsu hogo", explicou Handa.

Outra questão importante foi o acordo previdenciário entre o Brasil e o Japão, que permite ao trabalhador brasileiro somar o tempo de contribuição nos dois países e fazer o requerimento com facilidade para receber a aposentadoria do Brasil, se tiver direito. "Depois do acordo ficou tudo mais fácil, agora basta ir em um escritório de previdência do Japão para fazer o requerimento. O documento deve chegar nas mãos do INSS", conta.

↑ Adelaide Reis alertou sobre as dificuldades em se preparar para a terceira idade

A segunda palestrante a entrar em cena foi a brasileira Adelaide Reis, que trabalha há anos com casas de repouso no Japão. Adelaide ressaltou o envelhecimento da comunidade e os problemas que começam a aparecer depois dos 50 ou 60 anos, devido a falta de preparo para entrar na terceira idade.

"Envelhecer em outro país é uma nova realidade e nós não estamos preparados para isto. Todos nós devemos pensar com profundidade. Muitos de nós decidiram que voltariam ao Brasil, mas o tempo passou e estamos aqui", refletiu.

Além de se preocupar com as questões financeiras, Adelaide comentou sobre a importância de fazer um esforço para prolongar a saúde física e mental, conquistando assim uma terceira idade com mais qualidade. E, para quem está no Japão, ultrapassar as barreiras culturais para aproveitar bem o que o país tem a oferecer aos idosos é fundamental.

"Será que já não está na hora de começarmos a pensar em como queremos envelhecer no Japão? O Japão oferece muita coisa boa para a terceira idade, mas temos que estar preparados para entrar nesta cultura, sem barreiras pessoais por sermos estrangeiros", aconselhou.

↑ A necessidade de apoio familiar aos idosos foi foco da palestrante Carla Amaral

Por fim, a psicóloga Carla Amaral Barros, que atua no projeto Sakura em Gunma, falou sobre a necessidade de um planejamento, de cuidar de si e também de cuidar dos idosos da família, compreendendo suas realidades, limitações e necessidades.

"O envelhecimento é uma fase de ninho vazio, quando os filhos saem de casa. Começam os falecimentos de pais, de alguns parentes e amigos e é muito difícil lidar com essas mudanças. Os laços afetivos e o apoio da família se tornam fundamentais. Eles precisam que a gente mostre empatia e afeto", ressaltou.

COMUNIDADE BRASILEIRA
O movimento decasségui já completou três décadas e o envelhecimento é uma realidade cada vez mais presente na vida dos brasileiros, principalmente aqueles que vieram trabalhar no Japão há mais de 20 anos.

Os dados do Ministério da Justiça mostram que há 200 brasileiros acima de 81 anos residindo no Japão atualmente. Segundo dados de 2018, 77 mil têm entre 40 e 64 anos de idade e cerca de 4.700 pessoas possuem entre 65 e 69 anos. O Japão também é residência para mais de 3 mil brasileiros entre 70 e 81 anos de idade.

"Nos últimos dois ou três anos começaram a surgir muitas consultas de brasileiros que estão chegando na idade de se aposentar. São pessoas que não se interessaram por um seguro de vida ou uma previdência particular e só contribuíram com o seguro social obrigatório (shakai hoken ou kokumin nenkin)", alerta Handa.

A aposentadoria pode ser solicitada pelos idosos a partir de 10 anos de contribuição, mas o valor integral só é pago aos que contribuíram por 40 anos e, mesmo assim, não são valores suficientes para se manter. "Tem brasileiro que chega para mim e diz que vai viver de aposentadoria no Japão. Eu queria saber qual é a fórmula, por que não tem como se sustentar", diz Handa.

↑ Vilmar Nadayoshi, 57 anos, pretende se aposentar no Brasil

O futuro já está se tornando uma preocupação evidente e muitos brasileiros começaram a fazer planos para a terceira idade. Vilmar Nadayoshi, 57 anos, reside em Hamamatsu e está no Japão há 22 anos. Preocupado com as dificuldades de arrumar emprego depois dos 50 anos, o brasileiro planeja agora se aposentar no Brasil.

"Comecei a pensar no assunto recentemente e estou planejando voltar ao Brasil em um ano. A aposentadoria do Japão paga pouco e, mesmo que a previdência do Brasil também seja barata, pelo menos o custo de vida lá é mais baixo", conta.

↑ Jorge Vieira chegou no Japão em 1990 e é beneficiário da previdência social

Para o brasileiro Jorge Gabriel Vieira da Silva, 62 anos, que chegou no Japão em 1990 e hoje vive em Iwata (Shizuoka), a aposentadoria do Japão não é fácil e é preciso buscar outros meios de se sustentar na terceira idade. Jorge já está recebendo a previdência no Japão e hoje luta para conseguir justiça e algum benefício, por causa dos problemas de saúde que adquiriu nos anos de fábrica.

"Parei de trabalhar em outubro do ano passado por causa de um problema sério de tendinite, que desenvolvi por causa do trabalho na fábrica. Infelizmente, aqui o trabalhador é descartado quando não consegue mais dar conta. Ainda não consegui receber nenhum direito pelo problema de saúde que desenvolvi trabalhando", lamenta.

Fotos: Ana Paula Ramos/Alternativa
Vanessa Handa falou sobre os benefícios para idosos no Japão
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