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Vizinhos relatam gritaria e desespero durante massacre em escola de Suzano

No total, oito pessoas morreram e os atiradores cometeram suicídio

Crédito: Reuters e Agência Brasil - 14/03/2019 - Quinta, 08:46h

Suzano - Quando os primeiros tiros foram disparados dentro da escola estadual Raul Brasil, em Suzano, nesta quarta-feira, muitos vizinhos abriram seus portões, deparando-se com estudantes que pulavam o muro da escola e corriam desesperados.

Foi na casa desses vizinhos que alguns alunos da escola se refugiaram --muitos em estado de choque-- do massacre realizado dentro do colégio por dois ex-alunos e que deixou nove mortos --incluindo os dois agressores que cometeram suicídio. Uma décima vítima foi morta em uma locadora de carros da cidade antes de os criminosos entraram na escola. Outras 10 pessoas ficaram feridas.

Os autores do crime foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos. Na escola, eles mataram cinco alunos, uma coordenadora e uma funcionária.

"Escutei muita gritaria, abri o portão no momento e me deparei com a cena das crianças pulando o muro”, contou a dona de casa Marilene Gonçalves, de 51 anos.

Marilene, que estava no quintal de sua casa na hora dos primeiros disparos, abrigou na sua casa um estudante que foi baleado no queixo depois de vê-lo pulando o muro.

“Ele não conseguia falar nada, mas eu dei o celular na mão dele e ele digitou, todo trêmulo, todo sujo, para falar com a mãe dele”, explicou, acrescentando que o jovem estava desesperado pela namorada, que não conseguiu pular o muro.

Foi também no fundo da oficina de pintura de carros de José Santana, na mesma rua da escola, que outras oito jovens buscaram refúgio.

“Ouvi o primeiro, o segundo e o terceiro tiro. Foram muitos, muito altos”, disse o pintor de carros de 68 anos.

Segundo relataram os vizinhos, a polícia chegou rapidamente, cerca de cinco minutos após os primeiros tiros. Eles estimam que o tiroteio não durou mais de 10 minutos.

Muitos outros moradores do quadrilátero ao redor da escola tiveram a mesma ação de abrigar os estudantes. A escola, explicam, ocupa um lugar de carinho no bairro.

Além de ser uma escola referência de Suzano, cidade que fica a cerca de 50 quilômetros de São Paulo, muitos moradores também estudaram ali, há muitas décadas.

“Eu cresci ali, estudei ali minha vida toda. Tem uma parte de mim ali, uma parte da minha história”, disse o publicitário Igor Ribeiro, de 42 anos.

Ele, que mora a uma quadra da escola, correu para o local assim que ouviu os primeiros disparos e chegou ainda em tempo de ver os estudantes correndo.

Os autores do massacre estudaram na escola e, segundo o secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, o mais novo deles, o de 17 anos, estava em processo de retornar.

O fato de ser conhecido por funcionários, avaliou Soares, pode ter facilitado sua entrada na escola.

"Tem algo na origem que precisa ser analisado. Precisamos pensar o que estamos fazendo com os nossos jovens", disse Rossieli.

O prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR), anunciou que disponibilizou um ginásio esportivo da cidade caso os familiares da vítima optem por realizar um velório coletivo para as vítimas do massacre.

Pânico na escola
A estudante Quelly Mileny, 16 anos, sobreviveu aos atiradores escondendo-se com outros colegas na despensa do colégio. “A gente estava indo merendar no refeitório, quando ouviu os tiros. No segundo tiro, a gente saiu correndo, e o lugar mais perto era a cozinha. Da cozinha, as tias nos colocaram no armazenamento de alimentos”, contou.

Quelly Mileny disse que havia pelo menos 30 alunos no local e que ficaram escondidos por cerca de 15 minutos. “Tinha gente até embaixo da mesa”, disse à Agência Brasil.

Segundo a estudante, o grupo ligou para a polícia e para os pais, tentando avisar o que estava acontecendo na escola. “Ficamos ali esperando até que a porta foi aberta. A gente achou que eram os atiradores, mas era a polícia”, relatou.

Ao lado da mãe, Quelly disse estar assustada, mas também aliviada. “Foi só Deus. Dali, eu nem via muita saída. Pensava: ‘Daqui a pouco eles vão entrar aqui porque sabem que tá todo mundo aqui’. Comecei a orar, pedir a Deus e foi só Ele para poder me livrar dali”, lembrou.

Aluna do 2º ano Ensino Médio, Quelly aguardava na porta da escola, no início desta tarde, por notícias de colegas que poderiam ter sido atingidos pelos tiros. “Eu tenho um amigo bem próximo que estava na entrada da secretaria. Estou muito preocupada porque dali não tinha muito como ele correr”, disse.

Foto: Reprodução
Luiz Henrique de Castro e Guilherme Taucci Monteiro, autores do ataque em Suzano

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