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Cidade japonesa quer atrair mais estrangeiros para longa permanência

A população de Akitakata, em Hiroshima, encolheu 10% desde 2004

Crédito: Reuters - 07/12/2018 - Sexta, 12:16h

Akitakata - O brasileiro Luan Dartora Taniuti se estabeleceu no remoto município de Akitakata (Hiroshima) quando tinha nove anos. Leonel Maia, de Timor Leste, está lá há quase sete anos. A filipina Gladys Gayeta é uma estagiária recém-chegada, mas deve partir em menos de três anos.

As estritas leis de imigração do Japão mostram que Taniuti, que tem ascendência japonesa, e Maia, que é casado com uma japonesa, estão entre os relativamente poucos estrangeiros que o país permite permanecer por um longo período.

O primeiro-ministro Shinzo Abe espera aprovar uma lei nesta semana que permitiria a entrada de mais operários estrangeiros como Gayeta por períodos limitados. Mas o prefeito de Akitakata, Kazuyoshi Hamada, diz que sua comunidade cada vez menor, como outras no Japão, precisa que estrangeiros de todas as origens permaneçam na cidade.

A cidade rural tem mais de 600 não-japoneses, cerca de 2% da população, que encolheu mais de 10% desde sua incorporação em 2004.

"Dada a baixa taxa de natalidade e envelhecimento da população, quando você considera quem pode apoiar os idosos e as fábricas... precisamos de estrangeiros", disse Hamada, 74 anos, que em março revelou um plano para buscar estrangeiros como residentes de longo prazo. “Eu quero que eles (do governo) expandam a lei de imigração e criem um sistema onde qualquer pessoa possa vir ao país.”

O declínio populacional do Japão é bem conhecido, mas o problema é especialmente agudo em localidades remotas e rurais, como Akitakata.

A proposta de Hamada de atrair estrangeiros como "teijusha", ou residentes de longa duração, é a primeira do tipo no Japão para imigrantes. Abe está lançando seu plano como uma forma de lidar com a aguda escassez de mão de obra do Japão, mas nega que seja uma "política de imigração".

"Hamada mencionou abertamente a política de imigração japonesa e isso é muito corajoso", disse Toshihiro Menju, diretor-gerente do Centro Japonês para Intercâmbio Internacional em Tóquio. "Akitakata é uma espécie de precursor."

UMA CIDADE EM LUTA
A população de Akitakata, formada pela fusão de seis pequenas cidades, caiu para 28.910 em novembro, ante 30.983 em 2014. Cerca de 40% dos moradores têm 65 anos ou mais.

Fábricas de autopeças e fazendas estão clamando por trabalhadores, muitas casas estão vazias, ruas escuras estão desertas no início da noite e os corredores de uma loja de descontos estão quase vazios às 20h.

Hamada disse que estrangeiros residentes a longo prazo são a solução. Mas integrá-los será crucial. Muitas cidades não estavam preparadas para o influxo de trabalhadores estrangeiros, disseram especialistas.

Os estrangeiros não qualificados trabalham no Japão de três formas legais: vistos de longo prazo iniciados na década de 1990 para os descendentes majoritariamente latino-americanos de etnia japonesa; um “programa de estágio” frequentemente criticado por explorar mão de obra barata; e estudantes autorizados a trabalhar até 28 horas por semana.

O país tinha 2,5 milhões de residentes estrangeiros em janeiro de 2018, um aumento de 7,5% em relação ao ano anterior e cerca de 2% da população total. O número de japoneses nativos caiu 0,3 por cento, para 125,2 milhões no mesmo período, o nono declínio anual consecutivo.

A população estrangeira de Akitakata é de cerca de dois terços de estagiários de lugares como a China, o Vietnã, a Tailândia e as Filipinas. A maioria só tem permissão para ficar até três anos.

Os demais são residentes de longa data, como Maia, e brasileiros como Taniuti, que ficaram mesmo depois que a crise financeira global levou o governo central a oferecer ajuda financeira e passagens só de ida para seu país natal.

"Quando temi não ter emprego, pensei: Já é o suficiente se eu puder comer", disse Taniuti, que cinco anos depois montou sua própria empresa, onde seus dois irmãos e seu pai trabalham agora.

OPINIÕES DIVIDIDAS
Os moradores de Akitakata estão divididos sobre atrair mais estrangeiros, embora menos cautelosos do que no passado.

Uma pesquisa de 2017 mostrou que 48% dos moradores de Akitakata acham “bom” ter estrangeiros vivendo na cidade, acima dos 30,8% em 2010.

Isso foi semelhante aos 45% que apoiaram as reformas planejadas por Abe em uma pesquisa do jornal Asahi no mês passado.

“Acho que nossas vidas seriam enriquecidas com culturas diferentes. Mas os japoneses não são hábeis em comunicação e a língua é a maior barreira”, disse Yuko Okita, 64 anos, que trabalha em uma empresa de táxi administrada pelo marido.

Maia, de 33 anos, disse que se dá bem com os habitantes locais - ele é membro de uma brigada voluntária de bombeiros -, mas sua filha foi maltratada na escola.

Akitakata também pode ter dificuldade em atrair novos residentes de qualquer nacionalidade simplesmente porque é remota e pequena.

“Akitakata não é atraente para os jovens. Mas é um ótimo lugar para criar filhos”, disse o brasileiro Taniuti, pai de dois filhos.

Gayeta, 22 anos, estagiária de uma fábrica de autopeças, disse que há pouco a fazer em Akitakata depois do trabalho.

"Não há lugar para ir, apenas yama (montanhas)", disse ela, misturando inglês e japonês.

PRÓXIMOS PASSOS
Pouco mudou em Akitakata desde que o prefeito anunciou seu plano.

A cidade tem um escritório onde um brasileiro residente oferece assessoria em português.

Os proponentes querem melhorar o ensino do idioma japonês para estrangeiros e estão considerando como usar lares abandonados para abrigá-los.

A proposta de Abe entraria em vigor em abril e permitiria a entrada de 345.150 operários no Japão, em cinco anos, em setores como a construção, que sofre com grave escassez de mão de obra.

Os opositores dizem que sua proposta é precipitada e mal concebida.

A lei criaria duas novas categorias de vistos para trabalhadores: um para aqueles que poderiam ficar até cinco anos, mas não poderiam trazer membros da família; e outro para estrangeiros mais altamente qualificados que poderiam trazer famílias e eventualmente poderiam ser elegíveis para residência fixa. Detalhes não são descritos na lei.

Mas o caminho para a residência permanente é íngreme: um requisito padrão é viver no Japão por 10 anos consecutivos, com exceções para os nikkeis e os profissionais altamente qualificados que o Japão está ansioso para atrair.

"A verdade é que o governo central não está baseando a aceitação de trabalhadores estrangeiros na premissa da residência de longo prazo", disse Keizo Yamawaki, professor da Universidade Meiji, que ajudou Akitakata a elaborar seu plano.

Foto: Reuters
Prefeito de Akitakata, Kazuyoshi Hamada
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