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Brasileiros acordam cedo e formam filas para votar no Japão

Em todo o país, há cerca de 60 mil eleitores aptos a votar para presidente

Crédito: Ana Paula Ramos e Antônio Carlos Bordin/Alternativa - 07/10/2018 - Domingo, 12:28h

Hamamatsu - Muitos eleitores brasileiros residentes no Japão e aptos a votar acordaram cedo e formaram filas para votar neste domingo (7) no primeiro turno da eleição presidencial.

Por volta das 9h, a fila em frente ao Consulado-geral de Hamamatsu, único ponto de votação para os eleitores residentes na província de Shizuoka, dobrava o quarteirão.

Famílias brasileiras, jovens e idosos esperavam, de baixo do sol, para exercer a cidadania. De acordo com as informações do Consulado, há cerca de 10 mil inscritos para votar em Hamamatsu, mas a expectativa de comparecimento é de 60% a 70%, baseado nos registros da eleição de 2014.

Em todo o Japão, há cerca de 60 mil eleitores brasileiros aptos a votar para presidente, com o título regularizado e transferido.

Voluntária Adriana Sugino e a eleitora Sandra Shibahara, que veio de Fukuroi

Convocada para trabalhar como voluntária em Hamamatsu, a brasileira Adriana Sugino ficou encarregada de organizar e informar as filas corretas aos eleitores recém-chegados e se mostrou satisfeita com o andamento da votação.

"Estamos conseguindo organizar o público e está sendo menos tumultuado do que imaginávamos. Os eleitores estão encontrando suas filas com facilidade e até o momento, a votação tem sido rápida, apesar das longas filas", comentou.

Irene Yamanaka, de 53 anos, veio com o filho Kira, de 4 anos, da cidade de Fuji para votar

Entre os eleitores de Shizuoka, há pessoas que vieram da cidade de Fuji, a cerca de 120 quilômetros de distância, para exercer o ato de cidadania. Este é o caso da brasileira Irene Yamanaka, de 53 anos, que decidiu votar pela primeira vez no Japão, depois de 29 anos residindo no país.

"Tive a oportunidade de transferir o título e foi muito bom, queria muito votar nesta eleição. Espero que o meu candidato leve no primeiro turno", comentou. Questionada se o Brasil tem jeito, Irene não mostrou grandes expectativas imediatas, mas revelou que tem esperança. "Acredito que com um bom presidente e tirando o governo que se instalou no Brasil, o país pode mudar em longo prazo", explicou.

Cleiyane Naomi Kasamatsu Telles, de 20 anos, também veio de Fuji com os pais para a eleição

Para os jovens, a expectativa também é de um Brasil melhor. A brasileira Cleiyane Naomi Kasamatsu Telles, de 20 anos, também veio da cidade de Fuji com os pais para votar e está exercendo a cidadania pela primeira vez. "Não foi difícil escolher um candidato e valeu a pena ter vindo de longe votar, o Brasil tem um jeito e um novo presidente pode mudar as coisas", comentou.

Em Hamamatsu, a votação está dividida entre térreo, sétimo e oitavo andares. Gestantes, pessoas com crianças pequenas, deficientes e idosos tem fila preferencial. O eleitor cadastrado na seção deve comparecer portando documento de identificação do Brasil com foto (passaporte ou CNH ou RG). A votação vai até as 17h.

NAGOIA
Em Nagoia (Aichi), a votação ocorre na universidade Chukyo. Hideyoshi Suzuki veio de Hekinan (Aichi) com a bandeira do BR nas costas. “Vim assim porque soube que não podia vir com a camiseta do meu candidato”, explicou.

Hideyoshi Suzuki, de Hekinan 

Ao analisar a campanha dos candidatos, Hideyoshi assegurou que “está comprovado que não precisa de dinheiro para ganhar uma eleição”, referindo-se às iniciativas particulares de eleitores de Jair Bolsonaro.

Para ele, a eleição pode definir um Brasil longe do comunismo. “Transferi o título só depois que o Bolsonaro se lançou candidato”, disse ele, que vive há 20 anos no Japão.

José Jacinto Dutra Neto, de Yokkaichi

José Jacinto Dutra Neto veio de Yokkaichi (Mie) para votar em Nagoia. “Saí 6h de casa. Temos que exercer nosso direito de cidadania e escolher um bom representante de governo”, frisou. 

José acompanhou um pouco das campanhas dos presidenciáveis pela internet e viu coerência em alguns e a falta dela em outros. “Espero que aquele que escolhi cumpra as promessas que fez. Nosso país está muito bagunçado. E se continuar do jeito que está, vai piorar. E a força do povo entra para mudar esse cenário. Por isso tem que escolher bem o candidato”, finalizou. 

“Durante um certo tempo da campanha me mantive neutro nas redes sociais. Só na antevéspera me manifestei sobre a legenda na qual votei”, disse Mário Sérgio Fontenelle, de Toyohashi (Aichi). 

Cuidadoso, Mário evitou entrar em discussões na internet. “Espiritualmente falando, sabemos que existe um plano maior. Nossa nação não está à deriva. O que vemos como ruim é o remédio amargo”, analisou.

Para Mário, democracia é saber conviver com as diferenças. “E aceitar as diferenças não é baixar a cabeça, a oposição existe para corrigir os excessos”, afirmou.

Fotos: Ana Paula Ramos e Antônio Carlos Bordin/Alternativa
Brasileiros formam fila para votar em Nagoia
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