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Acostumado a terremotos, Japão muda atenção para outros desastres naturais

Recentes tufões e chuvas súbitas trouxeram à tona mais uma preocupação

Crédito: Reuters - 13/09/2018 - Quinta, 14:57h

Tóquio - Os japoneses estão há muito tempo condicionados a se preparar para os terremotos, mas recentes tufões e chuvas fortes e súbitas trouxeram à tona outro tipo de desastre: inundações.

Especialistas alertam que milhares de pessoas poderiam morrer e que 5 milhões de pessoas precisariam ser evacuadas se diques de rios a leste de Tóquio cedessem após serem atingidos por fortes chuvas.

As cidades de Osaka e Nagoia (Aichi) também enfrentam riscos de inundação, dizem especialistas, em meio a um aumento de chuvas repentinas em todo o país nos últimos anos, um sintoma ligado ao aquecimento global.

"As principais áreas metropolitanas do Japão estão, de certa forma, em estado de crise nacional", disse Toshitaka Katada, professor de engenharia de desastres da Universidade de Tóquio.

Em julho, partes do oeste do Japão foram inundadas com mais de 1.000 milímetros de chuva torrencial. A água quebrou diques e os deslizamentos de terra destruíram casas, matando mais de 200 pessoas no pior desastre climático do país em 36 anos.

"Se isso acontecesse em Tóquio, a cidade sofreria danos catastróficos", disse Nobuyuki Tsuchiya, diretor do Centro de Pesquisas de Rios do Japão e autor do livro "Capital Submersa", que pede medidas para proteger a cidade, que sediará as Olimpíadas de 2020 e os jogos da Copa do Mundo de Rúgbi no próximo ano.

Particularmente estão mais vulneráveis ​​as 1,5 milhão de pessoas que vivem abaixo do nível do mar em Tóquio, perto do rio Arakawa, que atravessa a parte leste da cidade.

Em junho, a Sociedade Japonesa de Engenheiros Civis estimou que grandes inundações na área matariam mais de 2.000 pessoas e causariam 62 trilhões de ienes em danos.

Os especialistas não puderam dizer qual a probabilidade desse cenário. Mas, nos últimos anos, o governo reforçou as estruturas construindo barragens, reservatórios e diques.

No entanto, o ritmo de construção é muito lento, disse Satoshi Fujii, assessor especial do primeiro-ministro Shinzo Abe, conhecido por impulsionar grandes projetos de infraestrutura.

"Eles precisam ser atendidos o mais rápido possível", disse Fujii à Reuters.

John Coates, presidente da comissão de coordenação do Comitê Olímpico Internacional para os Jogos de Tóquio 2020, disse que a cidade deveria "levar em conta o potencial de alguns desses desastres que parecem assombrar o país".

No mês passado, o Ministério dos Transportes pediu ao Ministério das Finanças 527 bilhões de ienes no orçamento do próximo ano para reforço de diques e preparação para evacuação.

CERCADO POR ÁGUA
Tóquio foi atingida por uma grande enchente em 1947, quando o tufão Kathleen inundou grandes áreas da cidade e matou mais de mil pessoas em todo o Japão.

Um sobrevivente desse desastre, Eikyu Nakagawa, de 82 anos, disse que ficou no telhado de sua casa com seu pai por três semanas, cercado por água. Ele se lembrou de uma mulher grávida que havia se refugiado em uma casa de dois andares ao lado.

"O bebê poderia nascer a qualquer momento, mas não podíamos chamar uma parteira ou levá-la a um médico", disse ele. "Eu era apenas uma criança, mas perdi o sono com a preocupação de que ela puderia morrer."

Um desastre semelhante hoje seria muito pior, previu Nakagawa, porque a área em torno de sua casa na ala leste de Katsushika, em Tóquio, antigamente cercada por plantações de arroz, agora está cheia de prédios.

"Vai ser terrível", disse ele. "Agora está tão cheio de casas. Pouco pode ser feito se a água vier."

Chuvas intensas estão aumentando em todo o Japão. Precipitações de mais de 80 milímetros em uma hora aconteceram 18 vezes por ano, em média, durante a década até 2017, acima das 11 vezes entre 1976 e 1985.

O aquecimento global contribui para esses períodos de clima extremo, dizem os cientistas.

"Temperaturas mais altas do oceano fazem com que mais umidade seja sugada pelo ar", disse Katada, da Universidade de Tóquio. "Isso significa que uma grande quantidade de chuva cai de uma só vez, e é mais provável que os tufões cresçam mais fortes".

Na semana passada, o oeste do Japão foi atingido pelo tufão Jebi, o mais forte a atingir o país em 25 anos, matando pelo menos 13 pessoas e inundando o maior aeroporto internacional da região.

EVACUAÇÃO
No final de agosto, cinco distritos de baixa altitude em Tóquio revelaram conjuntamente mapas de perigo delineando áreas de alto risco para inundações, e alertaram que até 2,5 milhões de residentes podem precisar evacuar em caso de um grande desastre.

Os mapas, que estarão disponíveis online e em cópia impressa para os residentes, mostram a profundidade das enchentes em cada área e por quanto tempo cada localidade permaneceria submersa.

Mas tais mapas foram amplamente ignorados durante as inundações mortais no oeste do Japão em julho.

Se um desastre acontecer durante o horário de trabalho em dias úteis, o número de evacuados pode aumentar para 5 milhões, incluindo os dos distritos vizinhas, disse Tsuchiya, o que seria um pesadelo logístico. A população de Tóquio cresceu para 14 milhões de pessoas, sem contar os moradores em áreas circunvizinhas.

O Partido Liberal Democrata, do primeiro-ministro Shinzo Abe, pediu a criação de um novo ministério que se concentre na prevenção e recuperação de desastres. Atualmente, isso é supervisionado pelo Gabinete do Governo, que lida com outras tarefas diferentes, como a definição de políticas fiscais básicas e a promoção da inovação tecnológica.

As empresas também estão acordando para o perigo de inundações, disse Tomohisa Sashida, consultor principal da Tokio Marine & Nichido Risk Consulting.

"Temos sido frequentemente consultados sobre planos de continuidade de negócios relacionados ao terremoto", disse ele. "Mas agora eles percebem que precisam manter os riscos de inundações em mente e as consultas relacionadas a enchentes estão certamente aumentando".

Foto: Reuters
Danos causados por fortes chuvas em Hiroshima no mês de julho
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