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Por que as chuvas recordes foram tão mortais no Japão?

Arquipélago reúne dificuldades geográficas com um período de formação de tufões

Crédito: Redação - 11/07/2018 - Quarta, 14:41h
Tóquio – O Japão é famosamente propenso a desastres naturais, incluindo terremotos e tsunamis, e é geralmente considerado bem preparado para lidar com isso. Então, por que as chuvas recordes causaram mais de 150 mortes, além das dezenas de casos de desaparecimento? 

De acordo com uma reportagem do Japan Today, alguns fatos contribuíram negativamente para que o maior desastre relacionado a chuvas em mais de duas décadas se tornasse tão mortal.


TEMPORADA DE TUFÕES
As fortes chuvas começaram com uma tempestade provocada por um tufão que passou próximo do arquipélago, no início de sua temporada anual de tufões. 

O país é atacado anualmente por uma média de seis tufões, entre julho a outubro ou novembro. 

As frentes de tempestade trazem chuvas torrenciais e ventos fortes e são acompanhadas de perto por meteorologistas e funcionários do governo.

Apesar das várias medidas destinadas a evitar mortes, incluindo as represas para controlar as águas das enchentes, o país vê a maioria das mortes relacionadas às chuvas nos últimos anos. 

Mas esta frente de chuva foi sem precedentes: foram registradas chuvas recordes nas 72 horas até domingo em 118 pontos de observação do governo, em toda a área afetada, conforme informou a Agência de Meteorologia do Japão (JMA) à AFP.


GEOGRAFIA COMPLICADA
Pelo menos 70% do território japonês é formado por montanhas e colinas. E muitas casas são construídas em encostas íngremes ou planícies propensas a inundações abaixo delas. 

“Além disso, o território do Japão é geologicamente diversificado, com placas tectônicas e camadas geológicas vulcânicas. Em poucas palavras, é fraco”, analisou Hiroyuki Ohno, chefe do Sabo (controle de erosão de areia) e do Landslide Technical Center.

Isso coloca as casas de muitas pessoas no caminho de potenciais deslizamentos de terra e inundações.

O governo tem um projeto de longo prazo que visa fazer com que as pessoas deixem áreas propensas a desastres e até baniu novas construções em lugares considerados vulneráveis. O projeto está em andamento, mas muitos ainda vivem em perigo. 


CASAS DE MADEIRA
Muitas casas no Japão são construídas com madeira, particularmente aquelas em estilo tradicional, que continuam populares em cidades de interior. 
As fundações delas são feitas igualmente de madeira, o que dá uma flexibilidade ideal em caso de terremotos. 

Mas têm pouca chance de suportar a pressão esmagadora, produzida por uma torrente de água ou por um deslizamento de terra.

Os repórteres da AFP testemunharam situações em que casas tiveram o último piso arrancado do andar de baixo por deslizamento de terra, e outros em que a casa inteira foi varrida de onde estava. 


ORDEM DE EVACUAÇÃO 
As autoridades emitiram ordens de evacuação para cerca de cinco milhões de pessoas durante a pior fase das chuvas, mas as ordens não são significam que sejam obrigatórias, e muitas vezes são ignoradas.

“O ser humano tem um chamado viés de normalidade, ou seja, as pessoas tentam não evacuar, ignorando as informações negativas”, acredita Hirotada Hirose, especialista em gerenciamento de desastres.

“Essa natureza humana significa que as pessoas não podem reagir a desastres como deslizamento de terra e inundações, que ocorrem repentinamente”, acrescenta.

Os especialistas, porém, dizem que o sistema de alerta do Japão é problemático, com a decisão de emitir ordens de evacuação deixada nas mãos de autoridades locais, que podem não ter experiência em gerenciamento de desastres.

“A relutância em emitir ordens de evacuação pode resultar em atrasos... e se eles são emitidos em horários inadequados, ninguém vai ouvir”, disse Hirose. 


MUDANÇAS CLIMÁTICAS? 
Muitos residentes podem ter sido levados a uma falsa sensação de segurança por anos de experiência com sistemas climáticos severos, mas não mortais. Residentes disseram a repórteres da AFP que estas chuvas eram diferentes de tudo o que haviam visto até então.

"A frequência de fortes desastres ligados à chuva está aumentando, e estamos enfrentando o mundo onde as regras aprendidas com suas experiências não se aplicam mais", disse Ohno.

Os cientistas alertaram que uma consequência do aquecimento global poderia ser um aumento nos desastres relacionados à chuva.

Especialistas agora dizem que as pessoas devem sair bem antes das ordens de evacuação, quando as previsões mostram que a chuva forte é possível.

Foto: Issei Kato/Reuters
Carro submergido em Kurashiki, Okayama
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