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Brasileiros passam dificuldades nas regiões afetadas pelas chuvas no Japão

Moradores de Hiroshima e Okayama relataram o caos nas cidades, mercados vazios e destruição

Crédito: Antônio Carlos Bordin/Alternativa - 10/07/2018 - Terça, 17:03h
Hiroshima – O drama dos moradores de Higashi-Hiroshima (Hiroshima) começou no fim de semana, quando a chuva forte atingiu a região. Os rios já transbordavam e quando a situação chegou a um ponto crítico, o alerta máximo foi dado. 

“Foi a primeira vez na história que esse alerta foi dado. Nossa região não costuma ter muitos problemas”, contou Márcia Takara, que trabalha na prefeitura de Higashi-Hiroshima.

Mas o drama da população de cidades como Kaita, Higashi-Hiroshima e Kumano só estava começando. Márcia citou o caso de uma brasileira que não conseguiu voltar para a casa, por causa do transbordamento dos rios. “Ela saiu às 17h e ficou no carro dela até o sábado, por volta das 11h, sem água, sem comida, tentando encontrar uma saída”, relatou.

Márcia acredita que o número de mortos na província de Hiroshima ainda vai aumentar, por causa dos deslizamentos de terra. “A rodovia expressa Sanyo está fechada e a enxurrada também inundou um túnel com lama. Dizem que levará uma semana para limpar”, conta.

A tragédia também afetou vários trechos de linhas de trem, tanto é que a estimativa é de que a retomada do transporte seja feita somente em três semanas ou até um mês, conforme relatou a brasileira. “Mas quem tem passe comum de trem, está liberado para embarcar no trem-bala sem ter que pagar a mais, se for o caso”, explica.

Higashi-Hiroshima é uma cidade universitária com 198 mil habitantes, onde residem cerca de seis mil estrangeiros, com uma comunidade de 200 e 300 brasileiros. “Não temos notícia de nenhum conterrâneo que esteja em abrigo”, afirma a brasileira.

“Hoje (10) o sol está brilhando, O pior já passou. Mas o que ainda falta nos mercados é água, leite, pão, e comidas congeladas e até pacotes de arroz. Já houve abastecimento de leite nos supermercados, mas acabou tudo em apenas 15 minutos”, disse.

Prateleiras vazias de supermercados em Hiroshima

Uma das principais fábricas da cidade, a Mazda, anunciou que está suspendendo suas atividades por falta de autopeças. O brasileiro Juliano Cenedese Tomi, trabalha em uma fábrica que presta serviço para esta companhia (Hiroshima). “A fábrica parou ontem e hoje. Fomos dispensados após o almoço e não sabemos se vai ter serviço depois”, comentou.

Juliano disse que mora em um lugar alto e sua casa não foi atingida pela enchente. Porém, ele, claro, sofre com os problemas que têm afetado todos os habitantes da cidade. “Realmente muito triste isso que aconteceu, pois não esperávamos”, disse.

“Na sexta-feira fui trabalhar à noite e já estava chovendo muito. Na hora de sair, não esperava encontrar tudo inundado e muitas pessoas se protegendo no segundo piso de suas casas esperando por ajuda”, relatou.

Ele comentou que tem uma amiga japonesa que havia acabado de construir uma casa e perdeu tudo com a inundação. “Fui ver como ela estava e é uma coisa muito triste de ver. Ela estava muito abalada”, disse, acrescentando o seguinte: “Eu também estou com o psicológico zero”.

Milena Tassima, de Higashi-Hiroshima, postou um vídeo no Facebook relatando também a situação nesta cidade. Ela disse que não sai de casa desde sexta-feira, seguindo orientação da Defesa Civil. “Não tem gasolina e não tem o que fazer na rua. Meu marido foi ao mercado. Quando voltou, o chão havia cedido. Falei com o pessoal da Defesa Civil, disseram que se tem comida e água, não é para sair”.

Ela citou que as crianças tiveram as aulas suspensas, mas que nesta semana iriam estudar somente na parte da manhã, pela falta de comida para a merenda.

“Perto de casa tem um mercado. Mas imagine a cidade inteira naquele mercado. Infelizmente na hora que acabar essa comida, não terá mais”, afirma. 
Milena comentou que não tem mais onde comprar comida. “Um rapaz do takkyubin disse que não tem previsão de reabastecer. Não tem trem e a rodovia expressa também não está funcionando”, acrescentou.

“Tenho notícias de pessoas isoladas por causa de deslizamentos. Está tudo muito incerto. Por mais que saibamos que tudo vai ser resolvido, não sabemos quando. Na minha casa tem água e comida, mas não sei até quando. Tem gente que perdeu tudo e ficamos muito sentidos vendo tudo isso”, disse.

Nayla Oyakawa é de Senonishi (Hiroshima) e disse que sua casa também não foi afetada pela enchente por estar em um lugar alto. Mas ao redor a situação é ruim. “É praticamente impossível ir de um bairro a outro, com ruas bloqueadas. Em outras o asfalto cedeu. Não existem caminhos alternativos”, disse.

O asfalto cedeu em Senonishi (Hiroshima)

“Estamos economizando água e comida por precaução. Ainda não chegou nenhum aviso oficial de corte de água ou algo semelhante, mas é bom ter cuidado, pois alguns mercados também foram afetados pela inundação”, comentou. “Agora a água baixou, mas deixou muita areia nas ruas”, finalizou.

As águas tomaram conta das ruas em Hiroshima


OKAYAMA

Thalita Cabral vive há 26 anos no Japão e conta que nunca passou por isso antes. Ela reside em Yakage (Okayama) e praticamente está ilhada. “É que numa faixa de um quilômetro ao redor de onde moro a água inundou tudo e fica difícil sair. E como temos direito somente a comprar 2.000 ienes de gasolina, é arriscado”, relata. 

Thalita é casada e tem três filhas, de 5, 12 e 15 anos de idade. “Mas tenho uma amiga com uma filha de 3 anos que passou apuros para encontrar fraldas. Uma amiga doou”, disse.

Encontrar alimentos também está difícil. “Sei que a província de Saga está enviando caminhão pipa para nos ajudar. Meu cunhado só foi encontrar leite em uma cidade nas montanhas, depois de rodar muito. Ele nos trouxe um pouco”, conta.

A moradora de Okayama lembra que na madrugada de sábado para domingo ela e o marido, preocupados, saíram de casa para ver a situação dos rios. “Começou a me dar um desespero, porque as ruas já estavam alagadas”, lembra. “Nunca passei por isso na vida”, finalizou.


Fotos: Cedidas/Alternativa 
Estacionamento de um shopping alagado em Higashi-Hiroshima (foto principal)
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