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Lei que reconhece homens como possíveis vítimas de estupro entra em vigor no Japão

É a primeira grande melhoria da legislação em 110 anos, desde a Era Meiji

Crédito: Ana Laura Kawabe/Alternativa - 17/07/2017 - Segunda, 17:55h

Tóquio - A lei anti-estupro do Japão sofreu uma grande reforma e passou a reconhecer os homens como possíveis vítimas de violência sexual.

É a primeira grande alteração na lei em 110 anos, desde a Era Meiji. O fato marca também a primeira vez na história do país em que os homens ganham o mesmo direito das mulheres de serem protegidos e de verem o agressor punido pelo ato.

Porém, o assunto é delicado e, muitas vezes, os homens são “vítimas invisíveis”, que não denunciam, não possuem direitos e não recebem nenhum tipo de assistência psicológica.

O Nishi Nihon Shimbun contou a história de um estudante de 22 anos, de uma universidade em Kansai. Ele sofreu violência sexual há um ano e o agressor era um amigo.

Segundo o relato publicado no jornal, o estudante ouviu a confissão do amigo de que era gay. O agressor teria criticado uma viagem do estudante com uma mulher, tocado no corpo dele e utilizado a força para obrigar a vítima a cometer atos sexuais com a boca, enquanto recebia socos na cara.

Um tempo depois do ocorrido, o agressor teria pedido desculpas e dito ao jovem que queria comemorar o aniversário dele. Os dois se encontraram novamente e o estudante foi estuprado. Ao jornal, ele disse que se recordou do pânico e da dor de ser agredido e, por isso, não conseguiu se defender.

O trauma psicológico foi intenso e o jovem voltou para a casa no dia seguinte chorando. Ele teve febre e chegou a escrever uma carta de despedida, com intenções de cometer suicídio.

Em um caso como este, a situação é ainda mais difícil, pois a vítima não consegue contar com a ajuda de familiares ou receber qualquer tipo de apoio psicológico. Através da recomendação de um amigo, o jovem procurou ajuda em um centro de apoio às vítimas de violência sexual e enviou um e-mail anônimo, com um número de telefone.

Uma mulher do centro ligou para o número da mensagem com uma voz gentil, mas logo mudou quando ouviu a voz do estudante e percebeu que era um homem do outro lado da linha. “O que você deseja?”, perguntou a ele, friamente.

Ao saber da história, ela teria negado ajuda e aconselhado o jovem a fazer uma denúncia na polícia.

Os policiais pediram a ele que fizesse um exame médico indicando a agressão sexual, mas o hospital recusou o pedido por se tratar de um homem. “Foram tantas recusas de serviços que desisti de pedir ajuda”, confessou.

A reforma de lei veio para retirar as barreiras de que, em casos de estupros, o agressor é sempre um homem e a vítima é sempre uma mulher.

“Acredito que há muitos homens chorando e sofrendo como eu. Desejo que a nova lei faça com que vítimas como eu, que só buscam apoio, não sejam maltratadas por entidades que deveriam ajudar”, desabafou o jovem.

No entanto, para que a assistência seja igualada a das mulheres, é preciso que centros de apoio, hospitais que realizam este tipo de exames e até a polícia passem a agir com mais igualdade e a adaptar os serviços para incluir também os homens que foram violentados.

Foto: iStockphoto
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