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Psicólogo diz que polícia japonesa pratica tortura mental para suspeitos confessarem crimes

Recentemente, um casal foi inocentado depois de ficar 20 anos na prisão por uma confissão forjada

Crédito: Redação - 15/10/2016 - Sábado, 13:14h

 

Tóquio - Segundo o psicólogo Sumio Hamada, professor emérito da Universidade Feminina de Nara, a polícia japonesa pratica tortura mental para que o suspeito assine um termo de confissão.


Hamada, que estuda confissões forjadas há mais de 40 anos, afirma que dependendo das circunstâncias em que os interrogatórios ocorrem, como por exemplo, longas horas de sessões de perguntas, sem violência física, mas sob forte pressão psicológica, o detento acaba confessando o que não fez.


O depoimento de Hamada foi publicado pela jornalista Karyshma Vyas, no site Al Jazeera, tendo como base um caso recente ocorrido no Japão.


A suspeita do psicólogo está relacionado ao caso de Keiko Aoki, japonesa condenada à prisão sem tempo determinado, em 1995, acusada de matar a própria filha, na cidade de Osaka. Ela teria tido a ajuda do pai da menina, que também foi condenado à mesma pena.


Um nova investigação pormenorizada do caso, finalizada este ano, chegou à conclusão de que os dois eram inocentes. Libertada depois de 20 anos de cárcere, Aoki processa o Estado pelo erro.


Suspeita-se que a acusada teria sido levada pelos interrogadores a assinar a confissão do assassinato da própria filha para pôr fim a situação na qual estava submetida.


Conforme Hamada, as confissões fazem parte de 90% dos processos criminais no país. Ele alerta que, uma vez assinada a confissão, fica difícil para o acusado reverter a decisão e provar que é inocente.


No Japão os suspeitos de crimes podem ficar até 23 dias detidos para investigação. O pagamento de fiança é raro. Os interrogatórios podem durar até 12 horas, sem acompanhamento de advogados e os policiais não tem obrigação de registrar nada por escrito. “Numa situação assim, qualquer pessoa perde a capacidade de se defender”, aponta o psicólogo.


A fim de reverter os casos suspeitos de confissão forjada, um grupo de advogados fundou o "Projeto Inocentes". A reportagem do Al Jazeera ouviu a professora de Direito e membro do Projeto, Kana Sasakura. “Recebemos cerca de 90 casos até agora”, revelou a advogada. Ela chama a atenção para o pergigo das confissões forjadas, porque no Japão existe a pena de morte.


A reportagem teria procurado o Minsitério da Justiça do Japão, mas não obteve resposta positiva para entrevista sobre o tema.


Foto: Reuters

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