MUNDO

Postado em: 19/03/2014

Busca por avião mostra pouco avanço

Famílias chinesas que estão furiosas com a falta de informações ameaçaram realizar uma greve de fome

REUTERS

 

Kuala Lumpur - A área em mar e terra que está sendo rastreada na busca do avião da Malásia desaparecido tem uma extensão equivalente ao tamanho da Austrália, disseram autoridades nesta terça-feira, mas a polícia e agentes da inteligência ainda não conseguiram chegar a algum claro motivo que explique o sumiço da aeronave.


Os investigadores estão convencidos de que alguém com profundo conhecimento do Boeing 777-200 ER e de navegação comercial desviou o voo MH370 da Malaysia Airlines, que levava 12 tripulantes e 227 passageiros, na maioria chineses, talvez por milhares de quilômetros fora de sua rota prevista de Kuala Lumpur para Pequim.


Mas uma análise intensiva de todos a bordo até agora não conseguiu localizar alguém com motivo político ou criminoso conhecido para sequestrar ou deliberadamente derrubar o avião, disseram fontes ocidentais da área de segurança e autoridades chinesas.


O ministro interino dos Transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein, afirmou em entrevista coletiva que a busca "única, sem precedentes" cobre uma área total de 2,24 milhões de milhas náuticas (7,68 milhões de quilômetros quadrados), da Ásia Central ao sul do oceano Índico.


O voo MH370 desapareceu das telas de controle de tráfego aéreo civil na costa leste da Malásia menos de uma hora depois de decolar, na manhã de 8 de março.


Após juntarem dados isolados de radares militares e satélites, os investigadores acreditam que alguém desligou o transponder de identificação da aeronave e o sistema ACARS, que transmite os dados de manutenção, e desviou o avião para oeste, atravessando novamente a península malaia e seguindo uma rota da aviação comercial para a Índia.


Autoridades da Malásia voltaram atrás quanto à sequência exata dos eventos. Elas estão agora sem saber se o sistema ACARS foi desligado antes ou depois da última mensagem de rádio vinda da cabine, mas disseram que em termos materiais isso não faz diferença.


"Isso não muda nossa crença, como afirmado, de que até o ponto em que deixou a cobertura do radar militar principal, os movimentos da aeronave foram consistentes com a ação deliberada de alguém no avião", disse Hishammuddin. "Essa continua a ser a posição da equipe de investigação."


ANTECEDENTES
O embaixador da China na Malásia informou que seu país investigou seus cidadãos a bordo do voo e pode descartar o envolvimento deles no sumiço.


Fontes dos setores de segurança dos Estados Unidos e da Europa disseram que os esforços de vários governos para investigar os antecedentes de todos no voo não resultaram, até segunda-feira, em ligações com grupos militantes ou qualquer outra atitude que pudesse explicar o desaparecimento do jato.


Investigações da polícia da Malásia também não conseguiram encontrar nada suspeito no comandante Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, ou no copiloto Fariq Abdul Hamid, de 27.


Informações sobre suas vidas indicam que eram sociáveis, bem-equilibrados e felizes. Nenhum deles se encaixa no perfil de um solitário extremista ou com motivo para o suicídio ou sequestro.


"Eu nunca o vi perder a paciência. É difícil acreditar em qualquer das especulações feitas contra ele", disse Peter Chong, amigo de Zaharie, descrevendo-o como altamente disciplinado e consciente.


Segundo o jornal The New York Times, autoridades dos EUA disseram que a primeira virada para o oeste foi provavelmente programada no computador de voo da aeronave, em vez de ser executada manualmente, por alguém bem informado sobre os sistemas da aeronave.


O executivo-chefe da Malaysia Airlines, Jauhari Yahya, disse nesta terça-feira em sua entrevista diária à imprensa que isso era "especulação".


AMEAÇA DE GREVE DE FOME
Famílias chinesas furiosas com a falta de informações ameaçaram na terça-feira realizar uma greve de fome até que o governo da Malásia revele a verdade sobre o destino de seus parentes a bordo de um voo MH 370 da Malaysia Airlines, que desapareceu em sua rota de Kuala Lumpur a Pequim.


Dez dias depois do desaparecimento do avião, após uma hora da decolagem, centenas de familiares ainda estão à espera de informações em um hotel de Pequim.


Cerca de dois terços dos 239 passageiros a bordo da aeronave são chineses.


As famílias mostraram sua impaciência e seu sofrimento aos representantes chineses enviados pela companhia aérea para encontrá-los na terça-feira e exigiram ver o embaixador da Malásia.


"O que queremos é a verdade. Não deixe que eles se tornem vítimas da política. Não importa o partido político ao qual você pertence, não importa o poder que você tem, se não houver vida, qual é o sentido? Onde está a compaixão?", questionou uma mulher de meia-idade, revoltada.


"Você está sempre indo e vindo. Acho que seu governo no fundo sabe, por isso que nós queremos que você nos responda. Porque você está sempre nos enganando, dizendo mentiras", acrescentou um homem.


A China tem apelado repetidamente às autoridades da Malásia para dar uma assistência melhor aos parentes dos passageiros chineses, e para fornecer-lhes informações atualizadas.


"A China está o tempo todo exigindo que a Malásia e a Malaysia Airlines respondam sinceramente aos pedidos razoáveis das famílias chinesas", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Hong Lei em uma entrevista coletiva, que ocorre diariamente.


O representante chinês da companhia aérea disse que as informações destinadas às famílias estavam acima de seu controle.


"Eu aceito as críticas e erros que você apontou. Mas o problema é que algumas informações e materiais nós não temos realmente nenhuma maneira de acessar. Da minha posição, eu realmente não consigo acessá-los. Então, eu imploro seu perdão", ele disse.


Na saída dos representantes, as famílias gritavam palavras de ordem e erguiam os punhos no ar.


"Respeitem a vida, encontrem nossos parentes! Vocês estão entendendo? Vocês estão entendendo?"


Em entrevista a jornalistas, uma mulher que liderou os protestos disse que as famílias foram convocadas a fazer uma greve de fome.


"Nós vamos fazer uma greve de fome", disse.


"As famílias estão à beira do colapso. Há tantas famílias indo e vindo, alguns já foram embora. Os jovens podem suportar, mas os idosos já desmontaram", ela afirmou.


Não ficou claro quantos dos parentes iriam aderir à greve de fome ou quando ela seria iniciada.


foto
Um funcionário da equipe de solo trabalha perto de uma aeronave da Malaysia Airlines no aeroporto internacional de Kuala Lumpur
Reuters

 

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