Olha eu aqui de novo!
Pulei a parte de Hachinohe - onde eu estive em janeiro e, agora, no início de março - porque queria escrever com calma sobre pessoas tão especiais nesta estrada.
Então, antes de falar da aventura em Akita, onde estou agora, faço questão de contar sobre a experiência em Hachinohe, na província de Aomori.
Em setembro do ano passado, o meu amigo músico e agitador cultural Shunichi Miura agendou dois shows para a gente no norte do Japão: um em Sapporo (Hokkaido) e outro em Hachinohe. Como eu, o Miurão também tem rodado o país fazendo música e novos amigos.
Ambos conhecemos o pessoal de Hachinohe em 2008, num evento do The Rabadas Cultura Clube, um grupo de amigos de várias nacionalidades que fazia divulgação da cultura brasileira em Tóquio e outros lugares. Tanto o Miurão quanto o pessoal de Hachinohe, que é uma banda chamada Zodiac Nova, Pop Machine & Contemporary System, se apresentaram no evento.

Primeiro encontro com o pessoal do Zodiac
O Zodiac é um duo formado pelo guitarrista, violonista e vocalista Takushi Yoshikawa e pelo percussionista e figuraça Yam. A banda faz uma mistura de estilos, com forte influência da música brasileira, sem perder a essência japonesa. Além disso, o duo tem um forte trabalho de ativismo contra o uso da energia nuclear. Eles até compraram um espaço numa rádio local para falar sobre o tema em bate-papos sempre regados à boa música. Tive oportunidade de participar duas vezes da programação da rádio Praça Ooh-La.

Rádio Praça Ooh-La!

Mi-chan comandando a rádio!

Bom papo e música boa!
O Taku-chan, como é conhecido, administra um café em Hachinohe com a mulher dele, a querida e prestativa Mitsuan. Referência do Brasil na cidade, o café Saule Branche fica num prédio geminado com o Okina Soba, um restaurante de comida japonesa tradicional com 100 anos de existência e que pertence à família da Mitsuan.

Coador de café comprado na feira em São Paulo ;)
Ela e o marido são excelentes anfitriões e, nesta última visita, receberam a mim e ao Roberto Maxwell em sua casa que foi um ryokan (hotel tradicional japonês), no passado.

Louça do antigo Ryokan Okina e chazinho de boas-vindas ;)

Hospitalidade e uma vitrola maravihosa
para tocar os 30kg de vinis que levei para o Taku-chan

Mitsuan preparando o chá acompanhada de seu gatinho

Taku-chan brincando com meu shamisen.
Música japa no sangue.
Impressionante o groove da primeira vez com o instrumento.
Na primeira vez em que fui a Hachinohe de carro, em fevereiro, viajei com pneu de verão. E, como vocês devem imaginar, estava nevando à beça. Foi uma certa irresponsabilidade, tive muita sorte, na verdade, mas nada ocorreu. O Taku-chan quase morreu de preocupação, quando saí de Hachinohe para Sendai. Liguei para ele na estrada e, para a minha surpresa, ele me presenteou com uma linda canção no estilo blues. Chorei com tão lindo presente e me senti culpada por deixá-los preocupados. A música, para quem quiser ouvir, está neste link. Acho que é uma boa trilha sonora para o resto do texto.

Partindo embaixo de muita neve. Preocupação e Blues

Presentinho de Hachinohe para eu distribuir nas casas temporárias em Sendai
Na viagem, claro, toquei no Saule Branche e conheci outro amante da cultura brasileira, o Arikata Kubo que fez o som do show e, ainda, me deu o prazer de tocar com o Zodiac e a cantora Coco numa sala de concertos maravilhosa em Nango, uma cidade vizinha. Foram muitos dias de conversas sobre música e outras formas de arte, com gente que ama e entende do assunto.

Passagem de som no Nango Hall

Kubo san e...

...um brinde ao sucesso do Acoustic Live in Nango 2012
Da primeira vez, também conheci o Emburi, um festival de inverno que é uma espécie de chamada para a primavera. Hachinohe tem temperaturas abaixo de zero durante toda a estação fria. Por isso, chega uma hora que o povo quer um pouquinho de calor.

13graus negativos

Postarei mais fotos do Emburi Matsuri em outro post
Quem me levou no festival foi a Tomoe Tamura que, de dia, é office lady (secretária, em japinglês) e, à noite, faz bico no Saule Franche. Ela é uma mulher com jeito de menina, sempre muito graciosa. Gosta de fotografia e, dessa segunda vez que estivemos lá, ficou encantada com a GoPro, a câmera compacta do Roberto, a qual apelidou de Super Machine!
Roberto fixando a Super Machine GO PRO do lado de fora do Tonymóvel registrando estrada

Tomoe, Shi e Nathalie
Em Hachinohe, também tem um grupo de capoeira. Um dos membros é uma americana, a Nathalie Krukenberg. A menina manda muito bem e não é a única americana do grupo. É impressionante como o Brasil tem uma imagem forte entre estrangeiros e como a capoeira é praticada e respeitada. Com a Nathalie, além dos papos sobre o Brasil, passei uma tarde vendo uma exposição sobre o Emburi.
Nesta segunda viagem, aproveitamos para gravar uma música nova. Vai ser a primeira parceria oficial minha com o Zodiac. e, quem sabe, um embrião para o disco novo. A canção se chama "Sansha Matsuri" e a estamos classificando como wafu bossa, expressão que pode ser traduzida como 'bossa à japonesa'. "Sansha Matsuri" é um festival local que rola em agosto. Falo mais sobre ele na época porque pretendo voltar a Aomori no verão. E o Roberto, cujas lentes não deixam escapar nada, gravou o clipe dessa parceria. Ou seja, aguardem novidades para breve, muito breve.

Yam gravando em Shansha Matsuri

Roberto filmando Sansha MAtsuri

E pra fechar com chave de ouro, tempura do Okina! Arigatougozaimashita!!!