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Postado: 13/4/2012

Encontros adoráveis

 

Salve, gente!

Muitas novidades desde que caí na estrada de novo e agora com internet móvel tudo fica uma maravilha.


Queria realmente contar sobre toda a viagem em ordem cronológica mas as coisas vão acontecendo e decidi não segurar a emoção e postar tudo livremente. Se acharem ruim, entrem em contato e vamos nos acertando, certo?

Como vocês leram no post anterior, eu e o Roberto seguimos juntos de Tóquio por Sendai (Miyagi) até Hachinohe, em Aomori. Foi muito bom ter companhia durante uma semana, registrando todos os momentos, desenterrando e cantarolando canções antiiiiiigas de nossas épocas de adolescente e, também, dividindo os perigos da estrada.

 

O Roberto me levou até Karakuwa, numa pequena vila chamada Shibitachi, na província de Miyagi. Lá tive a oportunidade de conhecer o senhor Suzuki e sua esposa. Eles estão, provavelmente, na casa dos 60 e vivem numa casa bem japonesa onde mantem um estilo de vida relativamente antigo. E, de alguma maneira, esses costumes ajudaram a comunidade local nos difíceis dias que se seguiram ao terremoto de 11 de março, sem água quente e luz.

 

A casa de dois pavimentos é bem confortável, com uma área social e outra privada. A sala é de tatami e com paredes num tom escuro, bem aconchegante. As paredes são cobertas de artesanato japonês antigo e no chão de uma delas há uma enorme caixa de maneira com placas visíveis do lado de fora. As placas identificam as chaves da casa, cada uma do tamanho de uma banana grande. A caixa é o chaveiro da família. Um dos lados da sala é toda de vidro transparente, com uma porta de correr que dá para um belo jardim, de onde o gato da família observa o tempo passar.

Há mais de cem anos a família do senhor Suzuki, após sofrer com um terremoto seguido de tsunami, construiu em sua casa uma grande kama, uma panela de ferro a qual utilizam para aquecer à lenha a água da montanha. O kama fica numa espécie de prédio anexo de um pavimento. O prédio era uma oficina onde a família do senhor Suzuki produzia saquê e misô, a pasta de soja. Os armazéns e os barris de envelhecimento do saquê e do misô não são mais utiilizados. Mas, o seu Suzuki conta com orgulho que acende o kama todos os dias.


A casa de Suzuki ficou perto de ser atingida pelo tsunami mas acabou escapando e o mesmo kama pôde servir à toda vizinhança outra vez. Graças a esse caldeirão, a comunidade local teve água quente para cozinhar e se banhar, não apenas nesta tragédia mas em outras duas, inclusive a do ano passado. Ele nos contou que compartilhar a panela com a comunidade não é apenas um dever de quem pode ajudar mas, também, uma honra à tradição de sua família, que é uma das fundadoras de Shibitachi.


Foi uma delícia conhecer esse casal tão carinhoso! O Roberto, que já tinha visitado o local por indicação de uma outra amiga que temos, a Ivana Figueiredo, me pediu que tocasse algumas músicas para o casal Suzuki, como agradecimento à hospitalidade deles. Foi um enorme prazer. Passamos agradáveis momentos à beira do irori, uma espécie de lareira tradicional no chão, bebendo chá, café, conversando, cantando e ouvindo sobre música e sobre as tradições da família Suzuki. Foram momentos que eu vou guardar com muito respeito.
 

VIDEO do senhor SUZUKI


O papo estava tão bom que as horas voaram. Quando percebemos era noite e ainda tínhamos três horas de viagem à frente, até Morioka, capital da província de Iwate. Foi nessa estrada de serra que, pela primeira vez, peguei uma estrada com muita neve que fez o carro perder o controle. Ainda bem que eu estava com o Roberto. Em fevereiro, dirigi com muita neve mas em nenhum momento passei por situação parecida com essa. Na ladeira, o carro começou a entrar na pista contrária e não havia controle para retornar. Assim que consegui retornar a pista de nossa mão, decidi parar pois estava com medo de, depois de tanta subida, escorregar na descida.


Mas, em menos de um minuto, um carro que vinha da direção oposta, parou e ofereceu ajuda. Eles informaram que, na verdade, a descida da serra era leve e a estrada praticamente plana. Os senhores ajudaram a empurrar o carro. Seguimos a adiante e deu tudo certo. Não pudemos parar para agradecer aos dois senhores que nos ajudaram. mas fizemos muitos brindes a eles, depois da chegada em Morioka.

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