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Associações de bairros buscam integração com estrangeiros

Por Osny Arashiro - 15/07/2017 - Sábado, 16:40h

Nos tempos iniciais do Movimento Dekassegui em Hamamatsu, algumas casas noturnas proibiam a entrada de brasileiros. Depois esse tipo de discriminação espalhou-se para uma Associação de Moradores de Bairros na cidade de Fukuroi, que vetou uma família brasileira de construir casa própria na vizinhança em 2007. Atualmente, com uma mentalidade mais globalizada, as associações de bairros estão buscando uma melhor relação com os estrangeiros.



Fui conferir na semana passada uma reunião das Associações dos Moradores de Bairros (Jichikai) de Hamamatsu. Compareceram cerca de 100 diretores de associações e eles ouviram atentamente a palestra do convidado peruano Isamu Kyan. Ele é Coordenador Encarregado do Bairro Modelo de Integração Multicultural e vive há duas décadas no conjunto habitacional Sasagawa, na cidade de Yokkaichi (Mie).


Isamu relatou suas experiências aos diretores de associações de moradores, para levar novas ideias e conceitos de convivência multicultural. Essa matéria está no site Alternativa e aqui vai o  link


Achei uma boa iniciativa do Jichikai ouvir as experiências do Isamu Kyan, lembrando que naquele conturbado ano de 1998, uma joalheria de Hamamatsu expulsou da loja uma cliente por ela ser brasileira. O caso foi parar na Justiça com vitória para a brasileira, a Ana Bortz, então minha colega de trabalho no International Press.


Aqui empresto uma foto tirada por Ana Bortz, mostrando uma casa noturna de Hamamatsu que afixou um cartaz proibindo a entrada de brasileiros e peruanos (foto abaixo).



Sim! Em Hamamatsu houve uma espécie de "Apartheid Amarelo". Hoje, aquela infame porta não pendura mais o cartaz e substituiu por um anúncio da casa (foto abaixo).



Essa casa noturna se chamava Abend (foto abaixo, tirada por Ana Bortz). Após passar por uma reforma, foi remodelada, mudou de nome e segue normal (foto mais abaixo).





"A MELHOR MANEIRA DE MOSTRAR

QUE ELES ESTAVAM ERRADOS FOI

MANTER NOSSO BOM COMPORTAMENTO"


Relato então uma reportagem que redigi há exatamente uma década atrás. Em julho de 2007, fui a Fukuroi, cidade vizinha a Hamamatsu, conversar com um casal de brasileiros que pretendeu comprar um terreno e construir a sonhada casa. Porém, o Jichikai local vetou a negociação, pois a vizinhança não desejava moradores estrangeiros no bairro.


Vou omitir seus nomes, apesar de que naquela época eles permitiram fotografias e apareceram no jornal International Press. Porém, prefiro omitir porque hoje eles vivem tranquilos e não gostaria de incomodá-los novamente com esse assunto.



Vou chamá-los de J. e S. O casal esperou apenas uma semana para receber a aprovação do financiamento bancário para a compra do terreno, mas esperou mais de um ano para obter a resposta oficial informando o motivo pelo qual foram impedidos de realizar a compra.


Em abril de 2006, o casal optou pela aquisição de um terreno de 230 metros quadrados no bairro Nagamizo, em Fukuroi, onde pretendia construir uma casa. Após várias visitas ao local e a conclusão dos trâmites com a imobiliária e financiamento bancário, perceberam que algo não ia bem, até que foram comunicados da suspensão da venda.


"VIMOS QUE A CABEÇA DELES É TÃO FRACA

QUE SERIA MUITO PREJUDICIAL PARA NÓS

TER ESSE PESSOAL COMO VIZINHOS"


"Foram mais de dois meses de espera e o negócio não se concretizava, então percebemos que algo estava errado. Até que fomos comunicados pela imobiliária que os futuros vizinhos não queriam que a gente fosse morar no local", conta J.


Ao saber através da imobiliária que os novos vizinhos seriam estrangeiros, a associação de bairro convocou uma reunião com os 12 representantes do quarteirão onde fica o terreno e a maioria foi contra a venda para o casal de brasileiros. A imobiliária não insistiu na negociação para que não ficasse mal vista diante da entidade de moradores.


O assunto foi levado ao Departamento Regional do Ministério da Justiça que, após mais de um ano, enviou uma carta ao casal informando as razões da desistência da venda do terreno e que o ato era uma "violação dos direitos humanos".


Para o casal, o caso já havia sido encerrado naquela época mesmo. Após o veto da venda do terreno, eles imediatamente procuraram um outro local e construíram a casa dos sonhos, onde moravam há cerca de dois meses, na época quando os visitei (foto abaixo).



"Quando descobrimos que a venda daquele terreno foi vetada, a primeira coisa que pensamos foi em insistir na compra, pois não somos de colocar som alto para incomodar o vizinho e levamos uma vida tranquila, por isso procuramos um local também calmo", contou me S. ainda indignada.


"Também achamos que a melhor maneira de mostrar que eles estavam errados era manter o nosso bom comportamento. Não é porque somos brasileiros que vamos causar problemas. Mas vimos que a cabeça deles é tão fechada que seria muito prejudicial, para nós, ter esse pessoal como vizinhos. Foi bom isso ter acontecido, pois hoje moramos num local agradável e somos queridos pela vizinhança".


"Nunca conversamos com nenhuma dessas pessoas que nos vetaram. Propus participar de uma reunião na associação para mostrar que somos de bem e que estão fazendo mal juízo sem ao menos nos conhecer. Mas eles não quiseram e isso foi frustrante. Queríamos mostrar que somos honestos e trabalhadores, mas nos negaram até esse direito", emendou J.



DIREITOS HUMANOS

Vítimas de violação dos direitos humanos podem dar queixa no Departamento Regional do Ministério da Justiça. Conforme a gravidade, a autoridade pode até encaminhar a denúncia para a polícia ou a promotoria.


No caso do casal brasileiro, a associação dos moradores e a imobiliária foram advertidas por violarem os direitos humanos, mas não chegaram a ser indiciadas. "É uma decisão sensata sob a atual legislação japonesa, mas não se trata de uma sanção legal. Na prática, ela não garante nenhum benefício à vítima, se os advertidos não voltarem atrás com a decisão", analisou o advogado Genichi Yamaguchi, na época.


Segundo ele, para encaminhar o caso de violação de direitos humanos à polícia, é preciso que seja acompanhado de atos considerados crime, como agressão física. Outra saída seria abrir um processo civil para pedir indenização. "Mas não é uma medida viável para qualquer pessoa, levando em consideração o tempo e as despesas", explicou Yamaguchi.


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