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Conselhos para os yonsei

Por Paulo Sakamoto - 21/04/2017 - Sexta, 14:27h


Já escrevi anteriormente sobre minhas dúvidas em relação à viabilidade da concessão do visto de longa permanência para os yonsei – bisnetos de japoneses que aguardam ansiosamente uma alteração da lei de imigração para voltar ou vir ao Japão pela primeira vez.

Acho que dificilmente o governo japonês irá abrir esse enorme precedente e ir contra a vontade da maioria dos eleitores. O visto de longa permanência para descendentes é, na prática, uma autorização de imigração. E, no Japão, imigração é um tema proibido no meio político.

Não discuto o mérito da concessão, até porque acredito que a chegada de “sangue novo” na comunidade é uma oportunidade de renovação física e mental. Estamos envelhecendo e perdendo espaço no mercado de trabalho para outras comunidades estrangeiras.

No entanto, antes de arrumar as malas, os yonsei que pretendem vir ao Japão pela primeira vez devem fazer algumas “lições de casa” muito importantes.

Estude japonês

Apesar de o mercado de trabalho estar muito favorável aos estrangeiros, já não há espaço para quem não consegue se comunicar minimamente em japonês. Sou da época em que o idioma era uma qualificação. Hoje, o nihongo é uma exigência básica para qualquer tipo de função.

Não caia na armadilha “chegando lá, aprendo japonês”. Assim como eu, muitas pessoas negligenciaram o idioma quando ainda estavam no Brasil e sofreram as consequências quando chegaram aqui.

Se você não sabe absolutamente nada de japonês, estude palavras e frases úteis para o cotidiano e pule, por enquanto, as formas formais e polidas de se falar. O inglês pode até ser útil para compreensão de placas e outras coisa do cotidiano, mas não espere conseguir se comunicar em eigo com os japoneses.

Estude a cultura japonesa

Além do idioma, um dos maiores problemas enfrentados por todos os brasileiros recém-chegados no Japão é o choque cultural. Muitos conflitos poderiam ser evitados se algumas regras básicas fossem aprendidas com antecedência.

Barulho, som alto e churrascos estão no topo da lista de reclamações de vizinhos japoneses. Procure estudar certos tipos de comportamento que podem causar estranheza ou má impressão entre os nativos. Lembre-se: se tratando dos japoneses, a primeira impressão é muito importante.

Cuidado com falsas promessas

Muitos terão a sorte de vir por contra própria ou contar com a ajuda de parentes e amigos. Outros, no entanto, terão que recorrer às empresas agenciadoras para conseguir emprego, moradia e financiar as despesas de passagem e documentação.

Essas empresas prestam um serviço muito importante para quem não tem condições de bancar a própria vinda, mas é preciso tomar cuidado com valores abusivos e falsas promessas.

Antes de assinar qualquer papel, faça uma pesquisa para saber sobre a idoneidade da empresa. Grandes agências que estão no mercado há muitos anos são mais confiáveis. A agência providenciou minha documentação há 18 anos é a mesma que recorro hoje quando preciso viajar.

Não quero te desanimar, mas o Japão de hoje não é mais o mesmo de seus pais. Os salários melhoraram um pouco em relação aos tempos turbulentos da crise de 2009, mas ainda estão longe do que eram há 10, 15 anos atrás. Não acredite em cifras que não condizem com a realidade.

Baixe suas expectativas

Como muito bem ilustrado por um brasileiro que faz ótimos desenhos sobre o cotidiano da comunidade brasileira, o Japão não é “todo” Tóquio. Muito provavelmente você irá morar em uma cidade de médio porte, cercada de plantações de arroz e distante dos grandes centros urbanos.

Quando ficar sabendo o nome da cidade em que vai morar, use o Google Street View para fazer um reconhecimento da área e evitar surpresas.

A rotina de trabalho também pode assustar quem nunca trabalhou na vida. Geralmente, são 10, 12 horas de trabalho por dia com uma folga na semana. Se você tiver sorte, folgará no domingo.

Ganbatte!

Desânimo, frustração e até arrependimento são sentimentos que todos nós passamos nos primeiros meses de Japão, Mas, acredite: essa fase passa! 

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