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Será que “salário igual para trabalho igual” seria um bom negócio no Japão?

 

Por Paulo Sakamoto - 09/01/2017 - Segunda, 11:06h

Não tenho dúvidas de que estamos na direção certa. Acredito que poucas pessoas se opõem à proposta do governo japonês de implementar a política de “salário igual para trabalho igual”. Afinal, é uma simples questão de justiça quando olhamos para o mercado de trabalho como um todo.

No entanto, até o momento, o rascunho da proposta, que será finalizada e votada ainda este ano, é muito vago e deixa enormes brechas para as empresas se adaptarem facilmente à nova legislação sem solucionar o problema da diferença salarial entre as classes de trabalhadores.

De acordo com a proposta, os trabalhadores efetivos e não efetivos devem ser remunerados igualmente (incluindo bônus e outros benefícios) se exercerem a mesma função dentro da empresa. O problema é que as informações divulgadas pelo governo até agora não levam em consideração que grande parte das empresas remuneram seus empregados efetivos de acordo com o tempo de trabalho, e não de acordo com a função que eles exercem.

Nesse caso, será que um funcionário não efetivo estaria disposto a receber o mesmo salário de um seishain novato que opera a mesma máquina ou que trabalha na mesma seção? Se o nivelamento for feito de acordo com o salário base de um seishain, em alguns casos, a proposta de salário igualitário não seria muito vantajosa.

Sabemos que, dependendo da empresa e do cargo, o salário inicial base de um seishain é baixo nos primeiros anos. Conheci várias pessoas que negaram a proposta de efetivação quando tomaram conhecimento do salário inicial. Para muitos, a certeza de um aumento gradual de salário e a segurança do “emprego vitalício”, adotado por grande parte das empresas japonesas, não é tão atrativa assim.

Outra brecha que deverá ser explorada é que, de acordo com a proposta, a remuneração pode diferenciar de acordo com a habilidade e desempenho de cada trabalhador, deixando essa avaliação por conta das empresas. Partindo do princípio que as empresas japonesas tradicionalmente não remuneram seus empregados efetivos de acordo o desempenho, mas de acordo com o tempo de trabalho, os critérios de remuneração seriam muito confusos e abertos à interpretação. Na prática, nada mudaria.

Na minha opinião, como um ex-trabalhador de chão de fábrica que conhece bem a insegurança dos empregos temporários, a reforma trabalhista deveria ser focada em dar mais estabilidade ao trabalhador não efetivo, com contratos mais longos e garantias de efetivação para quem se destacar.

Se o governo, em conjunto com os sindicatos e empresários, estipulasse um salário base para cada categoria de trabalho, independentemente do tipo do contrato do trabalhador, a diferença salarial de cerca de 60% seria reduzida mais facilmente e teríamos um sistema de trabalho mais justo, preservando a estabilidade e regalias dos seishains, conquistadas pelos anos de fidelidade e comprometimento, e garantindo que o trabalhador temporário seja remunerado de acordo com a função que exerce. Mais do que salários igualitários, os trabalhadores temporários carecem de segurança e estabilidade.

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