
O Japão aprovou nesta quinta-feira, dia 19, uma emenda de lei que reconhece legalmente como mortas as pessoas com “morte cerebral” e retirou o limite de idade para doação. No país, menores de quinze anos não podem doar e nem receber órgãos.
Acompanhei de perto essa movimentação hoje no Parlamento. Conversei com políticos e também com o casal Nakazawa, que perdeu o filho de um ano em dezembro de 2008. Ele já estava nos EUA a espera de um doador de coração, mas não resistiu à doença. “Se o Japão não tivesse essa lei antiquada, meu filho poderia estar vivo hoje”, disse.
Para mim foi uma surpresa muito grande descobrir que o Japão é atrasadíssimo nessa questão de doação de órgãos. E mais surpreso fiquei quando vi a quantidade de pessoas contra essa lei. “É uma questão cultural do Japão”, disse uma colega jornalista. “Aqui, muitos não consideram a morte cerebral como morte de verdade. Só mesmo quando o coração para de funcionar”, emendou.
A emenda de lei vai agora para a câmara alta, mas os cerca de 12 mil pacientes japoneses a espera de um órgão têm poucas esperanças de que ela seja implementada. O Japão registra todo ano cerca de 10 mil mortes por falência cerebral. Ou seja, seria quase auto-suficiente.
No entanto, desde que a lei foi aprovada (somente em 1997!!), apenas 81 cirurgias de transplante de órgãos foram feitas no país.
A discussão ganhou repercussão também por causa de um anúncio feito pela Organização Mundial da Saúde, que estuda a possibilidade de pedir aos governos que proíba as cirurgias em pessoas que não forem do seu próprio país. A medida seria para combater o tráfico de órgãos.
O assunto está só esquentando e vou tentar acompanhar essa questão. Por hora queria debater esse tema com os leitores. Vocês são conta ou a favor da doação por pessoas que tiveram decretada morte cerebral? E no caso das crianças, elas podem doar e receber órgãos?